Lula fala sobre Mercosul, integração sul-americana e Alca

Então nós temos uma tarefa pra fazer e acho que estamos fazendo.

Quero dizer aos presidentes que eu me orgulho muito

de ter vivido este momento na América Latina e na América do Sul,

em que nós saímos de um Merc-de um Mercosul

fracassado em 2002, para a construção,

não apenas do fortalecimento do Mercosul, mas da

constituição da comunidade sul-americana de nações.

Durante séculos, Brasil ficou de costa pra América do Sul,

olhando para os Estados Unidos e para a União Europeia,

achando que tudo que era bom pros Estados Unidos, era bom pro Brasil, ou

tudo que era bom pra Europa, era bom pro Brasil.

Durante muito tempo, a Bolívia está aqui, a

Bolívia achou que o Bra-- achava que o Brasil era o país

imperialista do

continente e que, portanto, os empresários bolivianos tinham medo dos

empresários brasileiros e não tinham medo dos empresários de outros países.

Durante muito tempo, Argentina e Brasil desconfiavam um do

outro e assim por diante.

Nós estamos conseguindo um feito inusitado.

Apesar das nossas diferenças,

apesar da nossa diferença, nós hoje estamos

convencido, que não existe saída individual

para nenhum país.

Não existe saída individual. Ou nós encontramos

soluções conjuntas para financiar a nossa

infraestrutura, ou nós encontramos soluções conjuntas

para facilitar o nosso comércio, ou nós não

teremos solução. Por isso, eu acho que essa reunião é

importante e ninguém pode sair frustrado,

porque não sai daqui com a solução dos seus problemas.

Eu queria aqui, senhor presidente, pedir licença apenas para falar de um

assunto

que não estava na pauta, porque eu recebi a programação e a

programação

falava:

desemp-- emprego, emprego e emprego.

Eu vim preparado para discutir emprego, mas cheguei aqui, estava se

discutindo outras coisas, eu queria abordar apenas pra deixar

registrado

na reunião, que é a questão do livre comércio,

a questão da Alca.

Eu vou dizer uma coisa que eu penso a respeito disso.

Vou ser rapidinho.

Bem, primeiro: o debate sobre comércio não pode ser

uma coisa ideologizada. Eu disputei as eleições de

2002 numa guerra,

que era a favor a Alca ou que era contra a Alca.

Cada debate tinha que explicar, ou seja, depois

ganhei as eleições, houve o acordo de Miami em 2003,

que estabeleceu parâmetros para se discutir esse

assunto.

Segundo: para o Brasil, não faz sentido falar em livre comércio,

enquanto persista o gigantesco subsídio da agricultura,

que desnivelam o campo de jogo.

Terceiro: daí a prioridade da OMC, onde se

pode tratar efetivamente dessa questão.

Por outro lado, não há modelos únicos para relações

comerciais. Na Alca, se estava discutindo

antes de Miami, 2003, temas que iam

muito além do comércio, como regras para investimentos, compras

governamentais, etc,

que limitavam a possibilidade de políticas industriais,

tecnológicas e etc.

Por isso, propusemos e obtivemos

redefinição da base das negociações.

Para o Mercosul e para o Brasil, eu acredito,

é, tem negociado, nós temos negociado com outros

países em desenvolvimento, acordos em que

tomamos plenamente em conta as

assimetrias e sensibilidades dos países menos avançados.

O mesmo princípio deve reger as

negociações hemisféricas.

Estamos dispostos a continuar essa discussão,

mas não podemos fixar prazos artificiais que não serão

cumpridos e que apenas causarão desgaste.

Por isso, preferimos avaliar a

situação após Hong Kong, à luz do que ocorrer,

sobretudo quando definirmos claramente a

questão dos subsídios

na reunião de Doha. Obrigado, presidente.

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