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Lessons from the Dreyfus Affair
O caso Dreyfus não é uma página da nossa história que se teria fechado em 1906
graças ao Tribunal
de Cassação e à reintegração de Dreyfus no exército. Nada disso.
O dreyfusismo não é uma lembrança.
É um estado de espírito que recusa que o pertencimento de um homem a uma
religião, uma origem,
uma comunidade possa tornar-se o álibi que permite entregá-lo como presa a
uma justiça e uma opinião cegas.
O dreyfusismo nos lembra que o antissemitismo,
qualquer que seja a sua raiz ou as supostas explicações,
é o inimigo da República.
Ora, sabemos que os velhos demônios do antissemitismo nunca
desapareceram totalmente do nosso país.
Sabemos disso porque os atos antissemitas, longe de se extinguirem,
continuam a atingir pessoas em razão do que são.
E diante deste regresso do odioso antissemitismo,
a vigilância é um dever de todos os instantes.
O dreyfusismo é também um método.
Nunca ceder à facilidade da suspeita coletiva.
Verificar, procurar a verdade antes de condenar,
preferir sempre a prova ao rumor, a investigação ao anátema.
Finalmente, o dreyfusismo ensina-nos algo sobre a coragem cívica.
Ser dreyfusista, em 1898,
não era juntar-se ao lado do conforto ou da popularidade.
Era expor-se,
sendo minoria, à hostilidade do seu próprio meio,
por vezes da sua própria família.
Num tempo em que a instantaneidade das redes e a viralidade da
acusação podem destruir uma reputação em poucas horas,
sem outra forma de julgamento senão o conduzido pelas matilhas,
o dreyfusismo nos ensina que a exigência de verdade
nunca foi tão necessária.
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Original transcript (French)
L affaire Dreyfus n est pas une page de notre histoire qui se serait fermée en 1906 grâce à la cour de cassation et la réintégration de Dreyfus dans l armée. Il n en est rien. Le dreyfusisme n est pas un souvenir. C est un état d esprit qui refuse que l appartenance d un homme à une
religion, une origine, une communauté puisse devenir l alibi permettant de le livrer en pâture à une justice et une opinion aveugle. Le dreyfusisme nous rappelle que l antisémitisme, quel qu en doit la racine ou les explications prétendues,
est l ennemi de la République. Or, nous savons que les vieux démons de l antisémitisme n ont jamais totalement disparu de notre pays. Nous le savons, parce que les actes antisémites, loin de s éteindre, continuent de frapper des personnes en raison de ce qu ils sont.
Et face à ce retour de l odieux antisémitisme, la vigilance est un devoir de tous les instants. Le dreyfusisme est aussi une méthode. Ne jamais céder à la facilité du soupçon collectif. Vérifier, chercher la vérité avant de condamner,
toujours préférer la preuve à la rumeur, l enquête à l anathème. Enfin, le dreyfusisme nous enseigne quelque chose sur le courage civique. Être dreyfusard, en 1898, ce n était pas rejoindre le camp du confort ou de la popularité. C était s exposer,
minoritaire, à l hostilité de son propre milieu, parfois de sa propre famille. Dans un temps où l instantanéité des réseaux et la viralité de l accusation peuvent broyer une réputation en quelques heures, sans autre forme de procès que celui mené par les meutes,
le dreyfusisme nous enseigne que l exigence de vérité n a jamais été aussi nécessaire.