Transcript · Portuguese → Spanish

Challenges Faced by Northeastern Brazil

Hoy voy a hablar del Nordeste, pero

Soy nordestina, nací en Mundo Novo y vivo aquí, en Bahía.

Pasé toda la vida oyendo decir a Lula que nuestra vida iba a cambiar.

Envejecí.

Envejecí.

Yo también envejecí.

Y sigo envejeciendo.

Y todavía estoy esperando que lleguen muchas cosas.

Para bañarnos tenemos que sacar agua con cubetas, ¿no?

Realmente no tenemos alcantarillado, ¿no? Porque el agua baja así y

se seca muy rápido. Pero eso ni siquiera es lo peor.

Soy jubilada, compro el medicamento con el que trato el cáncer

y un salario

mínimo no alcanza para nada. Todavía está el descuento que el Gobierno me

está quitando de mi, de la

de mi jubilación.

La falta de seguridad es lo que más nos duele.

Oímos hablar de muchas muertes, muchas cosas que pasan.

La seguridad ya no es como era antes, no es buena.

Pero no es aquel Lula de antes.

Decía cosas buenas, ¿no?, que iba a cumplir, pero...

esas cosas nunca las cumplió, ¿no? Sí, sobre la picaña.

Hoy la gente está poniendo calabaza en el pincho, ¿no?

Ahora me está prometiendo un Brasil diferente.

Pero me lo prometió a mí.

A mí también.

A mí también.

Y hasta hoy nunca llegó.

Llegó, pero solo para esa mujer suya, Janja.

Y no tener salud duele.

Hay que comprar el medicamento, porque si uno no tiene el medicamento no

sobrevive, ¿no?

Entonces, a veces nos quedamos sin comer y compramos el medicamento.

Pero nada duele más que ver a tu hijo partir.

No poder abrazarlo, no poder sentir su olor.

Extraño mucho a mi abuelita, ¿no? Porque ya llevo tiempo aquí.

Tuvieron que irse porque no había empleo, así que no había estudios.

Allí estudiaron, consiguieron trabajo y yo me quedé aquí

extrañándolos y echándolos de menos.

Pero ya no quiero eso.

Quiero criar a mis nietos.

Para cambiar el Nordeste.

Quiero mi trabajo.

Comprar mis cositas con mi dinero.

Toda la vida dependiendo de la política.

Eso no nos llevó a ninguna parte.

Soy nordestina, estoy orgullosa de donde nací.

Porque el Nordeste no es el problema.

Aquí hay gente trabajadora.

Agricultura.

Emprendimiento.

Turismo, cultura.

El problema es que aún hay gente aquí.

Que cambió el futuro de todos nosotros.

Por creer en el mismo discurso durante veinte años.

Voy a tomar una decisión diferente.

Basta.

Basta.

Basta.

Basta.

Basta.

Si al final de mi mandato,

todos los brasileños tienen la posibilidad de

desayunar,

almorzar y cenar,

habré cumplido la misión de

mi

vida.

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Original transcript (Portuguese)

Hoje eu vou falar sobre o Nordeste, mas Sou nordestina, nasci em Mundo Novo e moro aqui na Bahia. Passei a vida inteira ouvindo Lula dizer que a nossa vida ia mudar. Eu envelheci. Eu envelheci.

Eu envelheci também. E eu estou envelhecendo. E ainda estou esperando muita coisa chegar. Pra tomar banho nós tem que pegar de balde, né? Realmente nós não tem esgoto, né? Porque a água desce assim e

seca muito rápido. Mas esse nem é o pior. Sou aposentada, eu compro o remédio que eu faço tratamento de câncer e um salário mínimo não dá pra nada. Ainda vem o desconto que o governo tá tirando do meu, do,

da minha aposentadoria. A falta de segurança é o que mais machuca a gente. A gente vê falar de muita morte, muitas coisa acontecendo. Segurança não tá igual como era antigamente, não tá boa. Mas não é aquele Lula de antigamente.

Falava umas coisas boas, né, que ia cumprir, mas a, essas coisa nunca cumpriu, né? É, sobre a picanha. Hoje o povo tá botando é a bróba no espeto, né? Ele agora tá prometendo um Brasil diferente pra mim. Mas ele prometeu pra mim.

Pra mim também. Pra mim também. E até hoje nunca chegou. Chegou, mas só pra, praquela mulher dele lá, a Janja. E não ter saúde dói.

Tem que comprar o remédio, porque a gente se não tiver o remédio não sobrevive, né? Então às vezes a gente fica sem comer e compra o remédio. Mas nada dói mais do que ver seu filho partir. Não poder abraçar, não poder sentir o cheiro.

Tenho muita saudade da minha vozinha, né? Porque já tem tempo que eu tô aqui. Tiveram que sair porque não tinha emprego, então não tinha estudo. Lá eles estudaram, arrumaram serviço e eu que fico aqui sentindo falta e saudade. Mas eu não quero isso mais.

Quero criar meus netos. Pra mudar o Nordeste. Eu quero meu emprego. Comprar minhas coisinhas com meu dinheiro. Só dependente de política da vida toda.

Isso não levou a gente pra lugar nenhum. Eu sou nordestina, tenho orgulho de onde eu nasci. Porque o Nordeste não é o problema. Aqui tem gente trabalhadora. Agricultura.

Empreendedorismo. Turismo, cultura. O problema é que ainda tem gente aqui. Que trocou o futuro de todos nós. Para acreditar no mesmo discurso há vinte anos.

Eu vou tomar uma decisão diferente. Chega. Chega. Chega. Chega.

Chega. Se ao final do meu mandato, todos os brasileiros tiverem a possibilidade de tomar café da manhã, almoçar e jantar,

terei cumprido a missão da minha vida.

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