Eleições de 2026: análise da suposta virada de Lula sobre Flávio Bolsonaro
Qual era a probabilidade disso acontecer?
Na história do Brasil,
0%. Zero em sete. E pelas pesquisas?
Três em mil. Renan Santos, Augusto Cury,
Ronaldo Caiado, Romeu Zema. Guarde esses nomes.
Vamos fazer as contas. No
primeiro turno, Flávio Bolsonaro ficou na
frente, com cinquenta
e seis milhões e cem mil
votos.
Lula ficou atrás, com cinquenta
e três milhões e novecentos
mil.
Os outros candidatos ficaram de fora.
Augusto Cury teve três milhões quatrocentos e quarenta e oito mil
votos. Renan Santos teve
dois milhões seiscentos
e setenta e
cinco mil. Ronaldo Caiado teve
dois milhões
seiscentos e
cinco mil. Romeu Zema teve
trezentos e vinte e seis
mil.
Só esses quatro somam nove milhões
e cinquenta e seis mil votos.
Com os candidatos menores,
são nove milhões e trezentos mil.
E ainda tinha mais voto em jogo.
Dois milhões e novecentas mil
pessoas que não votaram no primeiro turno,
foram votar no segundo.
E um milhão e oitocentas mil
pessoas que tinham votado branco ou
nulo, escolheram um candidato. No
total, eram catorze
milhões e cem mil votos em jogo. O
resultado foi esse:
Lula ganhou dez milhões e
quatrocentos mil votos e Flávio
ganhou três milhões e setecentos mil.
Para isso acontecer, o Lula precisava ficar com três de cada
quatro
votos em jogo. Mesmo que todos os novos eleitores
votassem
nele e todos que
tinham votado branco
ou nulo também, ainda
faltariam cinco
milhões e seiscentos mil votos.
Ou seja, seis em cada dez
eleitores de Cury, Renan
Santos, Caiado e Zema
tinham que escolher o Lula.
Agora, as pesquisas. Na
véspera do segundo turno, Datafolha
e Quest mostraram o mesmo resultado.
Flávio com 51% dos votos válidos, Lula
com quarenta
e nove, margem de erro de dois pontos.
O Lula terminou com 51,8. Se a pesquisa errasse
só dentro da margem de erro que ela mesma
declarou, a chance do Lula
chegar a esse número era de três em mil.
E agora, o zero em sete. Desde
1989, o Brasil teve sete
segundos turnos para
presidente. Em todos, sem exceção, quem ganhou o primeiro
turno, ganhou também o segundo. Collor, Lula, Lula de
novo, Dilma, Dilma de novo, Bolsonaro, Lula.
Sete em sete. Em 2026, pela primeira vez em
uma eleição para presidente no Brasil,
quem ficou em segundo no primeiro turno,
venceu o segundo. Nunca tinha acontecido.
Eu não vou dizer o que eu penso. Deixo os números com você.
E aí, qual você
acha que era a probabilidade?
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