Greve na Volkswagen: líder sindical defende acordo e volta ao trabalho
E eu queria
explicar alguma coisa pra vocês.
Em primeiro lugar, quem viu a minha declaração na televisão,
viu que eu estava com um acordo pelo pescoço.
Todo mundo viu.
E eu posso garantir pra vocês
de que não foi um bom acordo.
É a minha palavra, é de que não foi um bom acordo.
Mas há algo muito sintomático. Na Volkswagen, sexta-feira,
houve uma greve
e a reivindicação dos trabalhadores
não era por aumento de salário,
mas era pela volta da diretoria do sindicato.
A volta
da diretoria do sindicato
é uma atitude meramente política.
E eu falo pra vocês,
eu
não vou pedir,
não vou pedir pros trabalhadores fazer greve segunda-feira.
E vou explicar o porquê.
E eu gostaria que vocês prestassem atenção numa coisa,
porque de nada adianta, de nada adianta
a gente falar às vezes até contra aquilo que a gente tá pensando.
Uma greve amanhã,
ela representa,
e eu vou explicar o porquê,
uma derrota da, da classe trabalhadora.
E eu vou explicar o porquê.
Vai exatamente, exatamente pelo seguinte: nós não
vamos ter mais campo para nos reunir, não vamos ter mais sindicato e não vamos
ter
mais igreja.
Nós vamos fazer uma greve de dois dias e depois de dois
dias nós voltamos a trabalhar de cabeça baixa.
E eu gostaria que cada um, na hora de votar, pensasse no amanhã,
pensasse no filho, na esposa e pensasse em si mesmo.
Eu acho que existe tática, eu acho que existe momentos
e nós precisamos criar essa tática e esse momento.
Então o que nós precisamos é não jogar o trabalhador
numa luta inglória.
E eu,
que invoquei vocês a fazerem greve,
nós que brigamos aqui durante quinze dias consecutivos, nós que
brigamos durante quarenta e cinco dia, eu quero dizer a vocês de
que a greve segunda-feira não é importante.
Politicamente, não é importante a greve segunda-feira.
Ela será importante qualquer outro dia.
E qualquer outro dia nós estaremos dispostos a fazer uma greve.
Então, eu gostaria de pedir aos trabalhadores
que quisessem me dar um voto de confiança à minha
diretoria de sindicato.
É que aprovassem o acordo que é péssimo,
mas que nós precisamos brigar pela volta da diretoria do sindicato.
Os companheiros que forem favoráveis e que quiserem desse voto de confiança,
levantem a mão.
Eu acho, eu acho que não há dúvida.
Eu acho que não, eu acho que não há dúvida nenhuma.
E mesmo aos descrentes,
mesmo aos descrentes,
mesmo aqueles que não acreditam na capacidade de luta dos
trabalhadores, amanhã nós daremos uma lição ao
Brasil e ao mundo. Nós voltamos a trabalhar com
tranquilidade,
mas num determinado dia nós vamos voltar a agir e agir com
força total. É isso que eu proponho aos
trabalhadores.
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