Miguel Sousa Tavares debate eleições brasileiras e critica Flávio Bolsonaro

Miguel Sousa Tavares, e agora?

Bom, o discurso do Flávio Bolsonaro mostra que

é um, que ele é um

dileto filho do seu pai,

e um dileto seguidor do seu patrão, Donald Trump.

O homem chamou de sacanagem a eleição, e eu pergunto:

estão a ver aquele povo na Avenida Paulista?

Como é que se pode desprezar setenta milhões de votos, assim?

O senhor, senhor Pessoa, o senhor parece que é brasileiro, não é?

Eu sou brasileiro.

Já ouviu falar no Machado Assis, no Guimarães Rosa, no Portinari?

Já ouviu falar? Foram eles que fizeram o Brasil grande.

É a nossa história.

Foram eles que fizeram o Brasil grande.

É a nossa história.

E o Brasil, como outros países, teve muita gente de direita,

que foi grande,

politicamente, nas artes, em tudo.

Agora, o senhor acabou de dizer aqui que ninguém

da direita aceita isto.

Com que autoridade é que o senhor diz isso?

Bom, isso é forma de expressão.

Não, não é forma de expressão.

É evidente que eu não tô falando em setenta milhões de

brasileiros. É, você sabe disso, você é uma pessoa extremamente

inteligente,

que eu admiro.

Cento e cinquenta e oito milhões eram os eleitores.

É, mas nós só somos cinquenta por cento aqui,

pra esquerda, cinquenta por cento

pra direita, é o que tá aqui. Não, é óbvio que é uma forma de

expressão.

Não, não é.

A direita não aceita isso.

Mas não aceita por quê? Com que legitimidade?

Porque se o senhor observar, e o senhor observa,

que o senhor é um grande

conhecedor,

nós temos escândalo de todo quanto é tipo e qualidade do Lula,

ninguém fala nisto. Agora, uma rachadinha que inventaram

lá do Flávio Bolsonaro, a rachadinha.

Aqui alguém chega e diz que o Lulinha, que era um tratador de

elefante no Brasil, hoje, começa... É bilionário.

Ouça, eu falo das duas coisas, a conversa não é essa. A conversa...

Não, eu quero mostrar que-

Não, escândalo, escândalos no Brasil, infelizmente, sempre houve.

E vai continuar a haver.

Aceitá-los?

Não, não tem que aceitar.

Não, porque a esquerda ninguém toca neles.

Não, ouça, o Flávio, Flávio Bolsonaro também andou a pedir já

milhões ao,

ao patrão do Banco Master, não é?

Mas é que o patrão do Banco Master deu trinta milhões por fora pra fazer o

filme do Lula.

Minha pergunta não é essa. Minha pergunta é:

com que legitimidade é que o senhor,

com que legitimidade é que o senhor ou o Bolsonaro dizem que não

aceitam o resultado?

Bom, não aceita o resultado porque existe

tanta, tanta, tanta

coisa contra as pessoas da esquerda que fala do filme do

Bolsonaro, mas ninguém fala do filme do Lula.

Não é, não é isso que eu tô a perguntar.

Mas eu tô mostrando ao meu ilustre amigo que, que não se

concorda porque do, a, da direita

aconteceu uma ponta da caneta.

Não, isso não é direita, isso aí é torta.

A direita civilizada aceita os resultados.

Na sua opinião, é torta.

Isso não é direita nenhuma.

Na nossa, não é.

Isso não é direita nenhuma, isso é torta.

É a sua opinião e eu respeito.

Não, mas você é um inimigo da democracia.

Atenção.

E não respeita o seu próprio povo.

Respeito a sua opinião.

Não respeita o seu passado, não respeita os ilustres brasileiros.

Respeito hoje as pessoas que estão lá.

Não, não respeita.

Se você quiser, eu convido pra ir comigo ao Brasil,

vou te mostrar o Brasil de

hoje.

Já fui cinquenta e sete vezes ao Brasil.

Cinquenta e sete?

Cinquenta e sete vezes.

E olha...

Se calhar conheço melhor que você.

End of transcript · 609 words

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