Transcript · French → Portuguese
Investigation into Foreign Election Interference
Passamos agora ao "L'Œil du 20 heures".
Já falámos muito sobre as tentativas de ingerência russa nas campanhas
eleitorais, aqui em França ou na Alemanha.
Mas os russos podem não ser os únicos.
O Ministério Público de Paris abriu um inquérito para apurar uma eventual
ingerência de uma empresa israelita que terá visado vários
candidatos da França Insubmissa nas últimas eleições municipais.
Do que se trata? Julien Chaulin, Arnaud Miguet, Valentin Stocker e
Chloé Duval investigaram.
Uma mulher de véu a apelar ao voto no LFI poucas horas antes da votação.
Um blogue a acusar Sébastien Delogu de agressão sexual.
Mensagens comprometedoras atribuídas a David Guiraud em Roubaix.
Três candidatos do LFI às eleições municipais, alvos de falsas
informações divulgadas na Internet.
Por trás de algumas delas, a pista de uma ingerência estrangeira.
A investigação dos serviços franceses leva a Israel e
revela um novo modo de operação para tentar manipular eleições na
França.
No início de março em Marselha, enquanto o rosto de Sébastien Delogu
aparece nos muros da cidade, QR codes também fazem a sua
aparição. Eles direcionam ao blog de uma tal
Sophie,
apresentada como vítima sexual do candidato
insubmisso.
Ele não pedia, ele não negociava, ele pegava.
Escreve ela. Informações falsas segundo os serviços
franceses, que também alertam David Guiraud em
Roubaix.
Capturas de tela atribuídas aos candidatos surgiram na internet,
como
esta, onde ele parece encomendar uma quantidade de
droga.
Uma tentativa de manchar sua reputação, consideram os agentes franceses.
Já no mês de março, os serviços de inteligência são categóricos.
Interferências digitais estrangeiras estão em andamento em Marselha, Toulouse
e Roubaix. Uma campanha maliciosa, escrevem eles,
que busca alterar a informação dos cidadãos.
Três candidatos identificados como defensores da causa
palestina.
Rapidamente, os investigadores chegam a uma
empresa
especializada nesse tipo de operação.
Portanto, uma empresa privada com sede em Israel e especializada na
venda de serviços, de operações de desestabilização.
Esse prestador de serviços montou uma rede com vários
nomes de domínio e
contas nas redes sociais.
E teve como alvo principal o partido LFI, bem como vários
dos seus candidatos.
Então, o que sabemos sobre essa empresa?
Os investigadores identificam primeiro uma
entidade chamada Blackcore,
projetada para a era moderna da guerra de informação, destaca o seu site.
Ela se gaba de ter 1.600 contas falsas no Facebook, TikTok
ou Instagram para realizar suas operações de desestabilização.
Como revelaram nossos colegas do Libération e do jornal israelense
Haaretz,
a Blackcore usava os recursos de duas outras empresas israelenses,
SNI e Galacticos.
Tentamos encontrar o representante legal de uma delas
em sua
sede em Tel Aviv. No local, nenhum sinal da empresa.
O endereço é de um escritório de advocacia.
Quem você procura não está aqui. Ele saiu de férias.
Mas a Galacticos é aqui?
Sim, mas eu não posso lhe responder agora
ou dar uma entrevista.
Contactado, o homem não respondeu, mas negou publicamente
ter sido informado sobre a operação.
Para este jornalista israelense que investigou o caso, é difícil
identificar os verdadeiros mandantes.
Será que o governo israelense poderia estar por trás desta
campanha
?
É muito complicado responder a essa pergunta porque Israel já foi pego
em flagrante de desinformação, mas nunca em período eleitoral.
E sim, essas empresas estão cheias de pessoas que tiveram uma
experiência
no exército israelense ou nos serviços de inteligência, mas isso não significa
necessariamente que trabalhem para o governo.
Mesmo que as autoridades francesas estimem que a operação teve apenas um pequeno
impacto na votação, um inquérito judicial foi de fato aberto
e um relatório dos serviços deve ser publicado nos próximos dias.
Relatório muito aguardado pelo LFI, que espera usá-lo para
anular a eleição em Toulouse.
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Original transcript (French)
On en vient à l'œil du vingt heures. On vous a beaucoup parlé des tentatives d'ingérence russe dans les campagnes électorales, ici en France ou en Allemagne. Mais les Russes ne sont peut-être pas les seuls. Le parquet de Paris a ouvert une enquête pour faire la lumière sur une éventuelle
ingérence d'une entreprise israélienne qui aurait visé plusieurs candidats insoumis aux dernières municipales. De quoi parle-t-on ? Julien Chaulin, Arnaud Miguet, Valentin Stocker et Chloé Duval ont enquêté. Une femme voilée appelant à voter LFI quelques heures avant le scrutin.
Un blog accusant Sébastien Delogu d'agression sexuelle. Des messages compromettants attribués à David Guiraud à Roubaix. Trois candidats LFI aux élections municipales ciblent de fausses informations propagées sur Internet. Derrière certaines d'entre elles, la piste d'une ingérence étrangère.
L'enquête des services français mène en Israël et dévoile un nouveau mode opératoire pour tenter de manipuler des élections en France. Début mars à Marseille, alors que le visage de Sébastien Delogu s'affiche sur les murs de la ville, des QR codes font aussi leur
apparition. Ils renvoient au blog d'une certaine Sophie, présentée comme victime sexuelle du candidat insoumis. Il ne demandait pas, il ne négociait pas, il prenait.
Écrit-elle. De fausses informations selon les services français, qui alertent aussi David Guiraud à Roubaix. Des captures d'écran attribuées aux candidats sont apparues sur Internet, comme
celle-ci, où il semble commander une quantité de drogue. Une tentative de salir sa réputation, estiment les agents français. Dès le mois de mars, les services sont formels. Des ingérences numériques étrangères sont en cours à Marseille, Toulouse
et Roubaix. Une campagne malveillante, écrivent-ils, cherchant à altérer l'information des citoyens. Trois candidats identifiés comme des défenseurs de la cause palestinienne. Très vite, les enquêteurs remontent jusqu'à une
entreprise spécialisée dans ce genre d'opération. Donc une société privée basée en Israël et qui est spécialisée dans la vente de prestations, d'opérations, de déstabilisation. Ce prestataire, il a mis en place un réseau de plusieurs
noms de domaines et de comptes sur les réseaux sociaux. Et il a visé en particulier cibler le parti LFI ainsi que plusieurs de ses candidats. Alors, que sait-on de cette entreprise
? Les enquêteurs identifient d'abord une entité nommée Blackcore, conçue pour l'ère moderne de la guerre de l'information, précise son site Internet. Elle se vante de disposer de mille six cents faux comptes sur Facebook, TikTok ou Instagram pour mener à bien ses opérations de déstabilisation.
Comme l'ont révélé nos confrères de Libération et du journal israélien Haaretz, Blackcore utilisait les ressources de deux autres sociétés israéliennes, SNI et Galacticos. Nous avons tenté de rencontrer le représentant légal de l'une d'entre elles
à son siège social de Tel-Aviv. Sur place, aucune trace de l'entreprise. L'adresse est celle d'un cabinet d'avocats. Celui que vous cherchez n'est pas là. Il est parti en vacances. Mais Galacticos, c'est bien ici ?
Oui, mais moi, je ne peux pas vous répondre là maintenant ou faire une interview. Contacté, l'homme n'a pas donné suite, mais il a publiquement nié avoir été informé de l'opération. Pour ce journaliste israélien qui a enquêté sur l'affaire, difficile
d'identifier les véritables commanditaires. Est-ce que le gouvernement israélien pourrait être à l'origine de cette campagne ? C'est très compliqué de répondre à cette question parce que Israël a déjà été pris
en flagrant délit de désinformation, mais jamais en période électorale. Et puis oui, ces entreprises, elles sont remplies de gens qui ont eu une expérience dans l'armée israélienne ou les services de renseignement, mais ça ne signifie pas pour autant qu'ils travaillent pour le gouvernement.
Même si les autorités françaises estiment que l'opération n'a eu qu'un faible impact sur le scrutin, une enquête judiciaire a bien été ouverte et un rapport des services devrait être publié dans les prochains jours. Rapport très attendu par LFI qui espère s'en servir pour faire annuler l'élection à Toulouse.