Transcript · French → Portuguese
Discussion on Economic Independence and Aid
Eu acredito no povo.
O povo,
hum,
acredito nele como uma força, como uma potência.
Hum, quem sabe falar ao povo, quem sabe conquistar a confiança do
povo
pode conseguir tudo.
Mas aquele—
Como falar?
Não. Falar ao coração do povo.
Fazer o povo sentir suas ideias.
O financiamento externo
não deve aparecer como uma solução milagrosa para todos os nossos problemas
econômicos.
Sim, são necessários financiamentos externos, mas é preciso começar primeiro por
trabalhar por conta própria.
E
se não trabalharmos,
soluções como as do FMI aparecem como soluções de
facilidade. E, assim que temos uma pequena dificuldade,
corremos para o FMI.
Assim que temos uma pequena dificuldade, corremos para o FMI.
Isto é uma coisa ruim.
Segundo
Um elemento muito importante também, é que temos a impressão
de que, sempre que nos são impostas condições pelo FMI, por exemplo,
é
para criar outras condições. Dizem-nos
financiamento, desde que façam
financiamento, desde que façam
isto, isto e isto. Aceitamos essas condições.
Cumprimos essas condições. Impõem-nos ainda outras condições.
Impõem-nos ainda outras condições. Isto é perturbador.
Então, em que países o FMI foi bem-sucedido?
Que exemplos há em que o FMI se retirou e as coisas funcionam
muito bem? Não vemos nenhum.
Vocês recusaram a ajuda alimentar. Porquê?
A ajuda alimentar que recebemos, infelizmente, em vez de nos ajudar a
desenvolver-nos, manteve-nos numa mentalidade
de assistido.
Todos os dias, estendemos a mão para pedir comida.
Isso é ruim.
Em segundo lugar, a ajuda alimentar faz com que os camponeses
daqui que poderiam
produzir não possam mais produzir porque
quando produzem, não têm mais para quem vender.
São os excedentes dos agricultores de outros países que trazem para cá.
Nós pedimos outra coisa.
Quem realmente quer nos ajudar pode nos dar arados ou
tratores, fertilizantes, inseticidas,
canos, regadores, barragens, poços.
Isso, sim, é ajuda alimentar.
Mas quem nos traz sacos de trigo, painço, milho ou leite, isso
não nos ajuda. Ele, ele nos engorda como se engordam
as gansas,
a gente, a gente, para poder vender a gansa, para que ela fique pesada, que a gente—
pesada e
para podermos vendê-la. Não somos nós
que eles procuram, procuram o dinheiro deles.
Isto não é ajuda.
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Original transcript (French)
Je crois au peuple. Le peuple, euh, j'y crois comme une force, comme une puissance. Euh, celui qui sait parler au peuple, celui qui sait avoir la confiance du
peuple peut tout réussir. Mais celui- Comment parler ? Non. Parler au cœur du peuple.
Faire sentir ses idées au peuple. Le financement extérieur ne doit pas apparaître comme une solution miracle à tous nos problèmes économiques. Oui, il faut les financements extérieurs, mais il faut d'abord commencer par
travailler soi-même. Et si on ne travaille pas, des solutions comme celles du FMI apparaissent comme des solutions de facilité. Et dès qu'on a une petite difficulté,
on court au FMI. Dès qu'on a une petite difficulté, on court au FMI. Ceci est une mauvaise chose. Deuxième élément très important aussi, c'est que nous avons l'impression
que chaque fois qu'on nous pose des conditions au niveau du FMI, par exemple, c'est pour créer d'autres conditions. On nous dit : Nous sommes prêts à vous accorder tel financement à condition que vous fassiez
telle, telle, telle chose. Nous acceptons ces conditions. Nous remplissons ces conditions. On nous amène encore d'autres conditions. On nous amène encore d'autres conditions. Cela devient troublant. Alors, quels sont les pays où le FMI a réussi ? Quels sont les exemples où le FMI est parti et cela marche
très bien ? Nous n'en voyons pas. Vous avez dit non à l'aide alimentaire. Pourquoi ? L'aide alimentaire que nous avons reçue, malheureusement, au lieu de nous aider à nous développer, nous a maintenus dans une mentalité d'assisté.
Chaque jour, on tend la main pour demander à manger. Ça, c'est mauvais. Deuxièmement, l'aide alimentaire fait que les paysans de chez nous qui auraient pu produire ne peuvent plus produire parce que
quand ils produisent, ils n'ont plus à vendre. C'est les surplus des paysans des autres pays qu'on nous amène ici. Nous, nous demandons autre chose. Celui qui veut nous aider vraiment peut nous donner des charrues ou des tracteurs, des engrais, des insecticides, des
tuyaux, des arrosoirs, des barrages, des forages. Voilà, ça, c'est de l'aide alimentaire. Mais celui qui nous amène les sacs de blé, de mil, de maïs ou du lait, cela ne nous aide pas. Il, il nous gave comme on gave les oies,
on, on, pour pouvoir vendre l'oie, pour qu'elle soit lourde, qu'on-- pesante et qu'on puisse la vendre. Ça, c'est pas nous qu'ils cherchent, c'est leur argent qu'ils cherchent. Ce n'est pas l'aide, ça.