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Quando o Google se tornou uma autoridade de saúde pública?
Silenciosamente, isso vem acontecendo há anos, mas um novo anúncio do Google está reformulando
o nosso entendimento sobre o que essa empresa de tecnologia realmente é.
Porque a empresa de ciências da vida do Google, a Verily, está pedindo permissão à EPA para
liberar até 64 milhões de mosquitos na Flórida e na Califórnia.
A maioria das pessoas conhece o Google como um mecanismo de busca, um gigante da publicidade, o dono do YouTube,
ou uma empresa de IA.
Mas poucos percebem que a controladora do Google, a Alphabet, também tem grandes investimentos em ciências da
vida, biotecnologia, pesquisa médica e projetos relacionados a vacinas por meio de suas
divisões de saúde e parcerias.
Então, o que isso tem a ver com mosquitos?
Os mosquitos que o Google planeja soltar estão infectados com uma bactéria de ocorrência natural
chamada Wolbachia.
E quando se acasalam com mosquitos selvagens, os ovos não eclodem, fazendo com que a população-alvo
diminua com o tempo.
Essa é, pelo menos, a teoria.
Os defensores dizem que isso poderia ajudar a reduzir doenças, como o vírus Zika, sem o uso de pesticidas.
À primeira vista, parece muito bom, não é?
Mas a questão principal não é se a ciência funciona ou não, e nós nem sequer
temos certeza de que funciona.
É quem decidiu que uma das empresas de tecnologia mais poderosas do mundo também deveria estar
no negócio de alterar ecossistemas.
Veja, isso não é apenas o Google criando um mecanismo de busca ou escrevendo software.
Não, esta é uma enorme corporação privada buscando aprovação para liberar dezenas de milhões
de insetos no meio ambiente como parte de um programa de controle biológico em larga escala.
De muitas formas, é tudo um experimento gigante.
Talvez funcione exatamente como planejado.
Talvez funcione exatamente como dizem que vai funcionar.
Talvez os benefícios superem os riscos.
Mas sejamos honestos aqui.
Tanto governos quanto corporações privadas têm um histórico muito, muito longo e marcante de falhas na saúde
pública, erros de julgamento e experimentos controversos.
E é por isso que muitas pessoas relutam em aceitar "confie em nós" como resposta.
E o público não deveria estar se perguntando que autoridade essas empresas têm para assumir
papéis que antes pertenciam a governos ou agências de saúde pública e instituições de pesquisa
independentes?
E antes que o debate se torne se você apoia ou se opõe à liberação de mosquitos, porque
Quem realmente gosta de mosquitos? Talvez haja uma pergunta mais importante aqui.
Até que ponto uma empresa de tecnologia tem autoridade para alterar a natureza de uma forma que ela
considere boa?
E quem está lhes atribuindo esse poder?
Essa é uma pergunta que vale a pena fazer.
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Original transcript (English)
When did Google become a public health authority? Quietly, that has been happening for years, and yet a new announcement by Google is reshaping our understanding of what that tech company is actually all about. Because Google's life sciences company, Verily, is asking the EPA for permission to release up to 64 million mosquitoes across Florida and California.
Most people know Google as a search engine, an advertising giant, the owner of YouTube, or an AI company. But few realize that Google's parent company, Alphabet, also has major investments in life sciences, biotechnology, medical research, and vaccine-related projects through its health divisions and partnerships.
So what does that have to do with mosquitoes? The mosquitoes that Google plans to release are infected with a naturally occurring bacteria called Wolbachia. And when they mate with wild mosquitoes, the eggs don't hatch, causing the targeted population to decline over time.
That is, at least, the theory. Supporters say it could help to reduce diseases, like Zika virus, without using pesticides. On its face, sounds pretty good, right? But the bigger question isn't whether or not the science works, and we're not even sure it does.
It's who decided that one of the most powerful tech companies in the world should also be in the business of altering ecosystems. See this isn't just Google building a search engine or writing software. No, this is a private, massive corporation seeking approval to release tens of millions of insects into the environment as part of a large-scale biological control program.
In many ways, it's all a giant experiment. Maybe it works exactly as planned. Maybe it works exactly as they say it will. Maybe the benefits outweigh the risks. But let's be honest here.
Both governments and private corporations have a very, very long and storied history of public health failures, misjudgments, and controversial experiments. And that's why many people are reluctant to accept trust us as an answer. And shouldn't the public be asking what authority these companies have to take on roles that once belonged to governments or public health agencies and independent research
institutions? And before the debate becomes whether or not you support or oppose mosquito release, because who likes mosquitoes, really, there may be a more important question here. At what point does a tech company have the authority to alter nature in a way that it deems as good?
And who is assigning them that power? That is a question worth asking.