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Não temos uma epidemia de doença mental, temos uma epidemia de psiquiatria.
Você come demais, é uma doença, é um vício.
Você fuma demais, é uma doença.
Você está infeliz demais, é uma doença.
Você está magro demais, é uma doença.
Você está gordo demais, é uma doença.
Você tem pouco sexo, é uma doença.
Você faz sexo demais, é uma doença.
Não há livre-arbítrio, é tudo química.
Sem autodisciplina, sem autocontrole.
Um desequilíbrio químico combina muito bem com a ideia de que se administra um medicamento que restaura
o equilíbrio.
É uma história, uma mitologia, uma fábula.
A criança não age como deveria nem se comporta como deveria, ele não é responsável.
Você ouve dia após dia na televisão que isto é uma doença mental e aquilo é uma
doença mental.
E o Zoloft é anunciado.
Você não pode anunciar cerveja, mas pode anunciar Zoloft.
Mas isto não é apenas psiquiatria, é a psiquiatrização inteira da cultura.
Agora, o que é mais tóxico, Zoloft ou cerveja?
Amém.
Caso encerrado.
Os psiquiatras estão se afastando cada vez mais e mais e mais e mais deste
contato humano.
E estão se tornando cada vez mais charlatães.
Eles falam, agem e se fazem passar por médicos.
Eles falam sobre diagnóstico e tratamentos, o cérebro e todo esse tipo de assunto sobre
o qual eles não sabem nada.
Zero.
Não é ciência; é política e economia.
Isso é o que a psiquiatria é — política e economia, controle do comportamento.
Não é ciência, não é medicina.
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