Rafaela relata sobrevivência ao ataque de 7 de outubro em Israel
Eu me chamo Rafaela, eu tenho 20 anos.
Eu mudei pra Israel fazem três anos
e no dia 6 de outubro de 2023, eu resolvi ir pra
uma festa com o meu então namorado.
Nós fomos juntos com a intenção apenas de no di-- nos divertirmos e de
curtirmos a noite.
É, chegamos na festa, uma noite muito bonita, um lugar
muito bonito, com pessoas muito receptivas e amorosas e
carinhosas.
E assim passamos a noite.
Quando,
quando o horário já era seis, seis e meia da manhã, nós começamos a ver
muitos mísseis no céu.
É, s-- nós nos preocupamos um pouco, demos uma volta na
região da festa
e lá a gente entendeu que não tinha um lugar
protegido pra ninguém.
Então eu e o Hanani, que era então meu
namorado,
é, resolvemos ir procurar um bunker, um lugar seguro.
Saímos da festa, encontramos, é, o Rafael,
é, onde estavam as barracas pra pegar as
nossas coisas.
Saímos da região da festa e então começamos a ir em
direção Reim, que é uma cidade no sul do país.
Quando chegamos lá, tudo estava bem.
A gente achou que-- pensamos que a gente tava protegido.
É, não estávamos muito preocupados, porque como a gente mora em Israel,
a gente tá acostumado e a gente sabe como lidar com esse tipo de situação.
Chegamos num bunker, num bunker de estrada,
que é um lugar bem pequeno.
Não existe nem porta, é apenas um lugar pros carros poderem
parar
em descer quando, se por algum acaso tem mísseis,
pra gente poder entrar dentro do
bunker. Chegamos lá, sentamos nós três.
É,
ficamos lá um tempo. Quando começaram a entrar
muitas outras pessoas que também estavam na festa dentro desse bunker.
Nos tornamos quarenta pessoas dentro de um lugar extremamente apertado.
Ficamos lá, nos tranquilizamos e pensamos que os, o
nosso problema dos mísseis já tinha passado, pois estávamos num lugar seguro.
Quando de repente começamos a ouvir tiros do lado de
fora do bunker.
É, esses tiros vinham do grupo terrorista
Hamas,
que estavam fazendo um ataque em Israel no mesmo dia.
Nós não tínhamos noção das proporções do que estava acontecendo,
estávamos apenas vivendo aquele momento.
É, o Hamas chegou até o nosso bunker.
Eles atiraram bombas de gás, bom-- é,
granadas, é, entraram o bunker e atiraram
em todo mundo que estava vivo, em todo mundo que se mexia.
Eles jogaram coquetéis molotov. Eles fizeram uma fogueira no
lugar da porta onde queimaram pessoas vivas.
É, eles sequestraram um menino que estavam do
meu lado.
Sequestraram uma outra menina que estava do meu lado, onde os
terroristas a estupraram e depois queimaram ela
viva.
O dia 7 de outubro foi o maior trauma da minha vida e foi
o dia mais escuro de toda a minha vida.
Lá naquele local eu perdi o Hanani, que é,
era a pessoa que eu mais amava nesse planeta.
É, uma das.
E
eu nunca vou esquecer nada do que aconteceu lá.
Eu nunca vou esquecer do ódio que eu senti naquele dia.
Eu lembro que eu tava sentada, não tinha como me defender,
porque nenhum de
nós vim, viemos pra uma festa armados.
E eu lembro que eu não tinha mais como fugir dali. Eu não tinha mais o que fazer.
Eu apenas esperei e rezei pra Deus me levar o quanto mais rápido,
porque ficar sem ar por cinco horas dentro de um lugar extremamente apertado é
muito difícil.
Esperei lá, ouvi gritos, risadas.
O Hamas entrava dentro do nosso bunker, atirava nas pessoas e ria
na nossa cara, e gritava na nossa cara e comemorava
na nossa cara. Isso não é um grupo de defesa.
Isso é um grupo de terrorismo.
É,
depois de todo o trauma, depois de toda a situação,
nós éramos quarenta.
Dentro dos quarenta, apenas dez saíram vivos, mais dois
outros meninos que estavam do lado de fora.
É,
encontrei o Hanani no estado que ele tava.
É, vi as pessoas no estado
dificílimo que elas se encontravam
e por sorte saí viva, porque eu estava escondida debaixo de
corpos por cinco horas seguidas, apenas rezando pra ir embora
mais rápido.
Israel vem me ajudando com todo o processo de cura,
com todo o processo de
medicação, de tratamento, de psicólogos.
É, eu recebo todo o apoio que eu preciso
aqui.
É, e me entristece muito saber que o país
onde eu
nasci, o país onde eu chamo de casa, se encontra nessa
situação. Numa situação onde o governo
compara as atitudes de Israel com o Holocausto, onde
Israel, que dá oportunidade pra tantos árabes e
quantas pessoas que moram
em Gaza a trabalhar, a estudar, a viverem aqui em paz
com o povo judeu, com o povo israelense.
Aqui as pessoas convivem umas com as outras, então não tem como se
chamar disso um genocídio. Um genocídio seria se
estivéssemos boicotando empresas palestinas.
Um genocídio seria se estivéssemos agora indo
contra um povo. Genocídio seria se a população
tivesse diminuído significativamente, sendo que, na verdade, ela quintuplicou
nos últimos anos.
Israel faz de tudo pra proteger os cidadãos de Gaza,
inclusive perde muito dos
próprios soldados pra que não tenham casualidades a mais.
É,
Israel demorou também um certo tempo pra invadir Gaza
porque queriam proteger os cidadãos.
Me entristece muito ser uma brasileira judia que veio pra
Israel, me mudei pra cá, onde toda a minha família Estava
no Holocausto, a família dos meus avós estavam todo mundo
na Polônia,
foram todos assassinados por nazistas.
E eu fui fazer um passeio na Polônia
pra ver o que realmente aconteceu.
E toda a minha família fugiu da Polônia pra ir pro Brasil,
pois lá era um lugar seguro, pois lá era o lugar da casa deles.
Lá eles não seriam perseguidos e massacrados só por serem judeus.
Então, realmente é uma situação muito complicada
saber que eu,
brasileira, não posso voltar agora pro meu próprio
país, por conta do
perigo de ser judia e estar num país onde tem muito antissemitismo,
onde a representação do país faz comentários antissemitas,
onde o governo compara o que Israel faz com Hitler,
não apenas difamando o antissemitismo, mas também,
é, desrespeitando a memória de seis milhões
de judeus que morreram no
Holocausto, de seis milhões de judeus que foram
assassinados brutalmente por causa de um representante.
É,
continuo com os meus tratamentos, Israel me dá todo o apoio que precisa.
O Brasil, o governo brasileiro, em nenhum momento
entrou em contato comigo, com o Rafael Zimmermann, com o Jade
Colker, com o Ranani Glazer, com a família de Ranani Glazer, que foi
brutalmente assassinado no ataque do dia 7 de outubro, com a mispa-- com
a família da Karen, que foi brutalmente assassinada no ataque
do dia 7 de outubro,
com a família da Bruna, que foi brutalmente assassinada no dia 7
de
outubro.
E
realmente o governo não foi mobilizado e simplesmente nós sentimos
que esqueceram da gente.
Então eu tô aqui hoje, sentada com o ministro pra poder
mostrar um outro lado da história, poder mostrar a importância
de
espalhar as notícias de uma maneira correta, de mostrar como sim,
Israel tenta proteger os cidadões e como sim, Israel faz
de tudo para que não tenham casualidades de civis.
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