Discussion on a Dramatic Scene
Tua irmã encalhada, que que eu fiz? Arrumei marido pra ela.
Até amureci. Consegui fazer ela se livrar da nora
cangaceira, que ela detestava e detestava sim.
Não era isso que cês queriam? Ouvir a verdade? Pronto.
Falei a verdade.
Uau!
Até hoje arrepia, gente. Que
coisa.
Minha mãe reclamou.
Porque eu maltratei ela na cena, cê acredita?
Minha mãe não gostou, falou: ah, não precisava chamar ela de vagabunda.
Mas, mas como é que pode defender uma vilã?
Mas ela da ca-- que eu tava defendendo a Adriana.
Tá falando um desrespeito da tua amiga.
Eu falei: ah, Murilo, tanta coisa pra chamar.
Mas uma, um, um dos apelos de Carminha era e-ela falava
a
verdade.
Essa, isso, essa foi verdade.
Essa foi verdade.
Ela mentia muito, né? Sempre. Mentia muito, dissimulada,
mas essa foi uma cena de verdade.
Cê vê, você fez muito mal mentindo, mas falando a verdade, cê fez mais mal
ainda.
Desabafo.
É.
O, o Murilo falava pra mim, a, a novela acontecendo e a gente trabalhando
muito,
muito cansado, ele falava: é um desabafo da Adriana.
O que ele queria dizer com isso, até hoje não entendi, mas ele falava: é um
desabafo da Adriana.
Eu acho que é muita vontade de ser verdadeira,
muita vontade de botar tudo pra
fora. Aí veio aquela história e veio aquele
texto.
Falei: é agora, é agora ou nunca. E parecia que ia acabar.
E não acabou, tamo aqui de novo. Quatorze anos
depois. E vai continuar. E a gente vai
fazer o quê?
Pra onde a gente vai?
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