Lula raconte la faim et son premier morceau de pain à 7 ans
J'avais
sept ans.
J'avais sept ans quand j'ai mangé du pain pour la première fois.
J'avais sept ans quand j'ai mangé du pain pour la première fois.
C'est très facile de faire des discours,
mais s'occuper vraiment des pauvres, on ne le fait pas avec la
conscience dans la tête, mais avec le cœur.
conscience dans la tête, mais avec le cœur.
Il faut que, il faut avoir ressenti cela.
Il faut éprouver des sentiments à ce sujet.
Il faut soit l'avoir vécu, soit avoir connu quelqu'un qui l'a vécu,
ou ter conhecido alguém que viveu aquilo,
parce que la faim ne fait pas mal.
La faim vous ronge de l'intérieur.
Et le plus grave, c'est que les gens ont honte de dire qu'ils ont
têm vergonha de dizer que tá com
faim.
Je vais vous raconter une histoire qui m'est arrivée.
Je suis resté au chômage pendant un an et demi.
En 1965,
j'ai trouvé un emploi chez Villares.
Et j'étais dans une situation si précaire,
qu'un jour, je n'ai pas emporté de gamelle.
Mais je n'ai pas emporté de gamelle, je suis allé au bar, où les gens mangeaient des sandwichs.
eu fui pro bar, onde as pessoas comiam lanche.
J'étais toujours un petit nouveau à l'usine et les camarades
sempre os companheiros ficavam
vous proposaient toujours quelque chose.
« Hé, Lula, tu ne vas pas manger ? » « Non, je n'ai pas faim. »
"Não, eu não tô com fome."
Et chaque fois qu'ils mettaient
le sandwich à la mortadelle à la bouche, je m'imaginais en train de mordre
eu imaginava eu mordendo
dans ce sandwich.
Je restais là tout le temps, honteux de dire que j'avais
de dizer que tava com
faim, puis je retournais travailler.
Ça arrive.
Je disais aujourd'hui
que j'ai
mangé du pain
pour la première fois.
J'avais
sept ans. Sept
ans quand j'ai mangé du pain pour la première fois,
ans quand j'ai mangé du pain pour la première fois,
parce que là où je suis né,
il n'y avait pas d'argent pour acheter du pain, ni d'endroit où en acheter.
pão, nem tinha lugar pra comprar pão.
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Original transcript (Portuguese)
Eu tinha sete anos de idade. Sete anos que eu fui comer pão pela primeira vez. É muito fácil fazer discurso,
mas cuidar do pobre de verdade, você não cuida com a consciência na cabeça, é com o coração. Você tem que, cê tem que ter sentido aquilo. Cê tem que ter sentimento sobre aquilo.
Você precisa ou ter vivido ou ter conhecido alguém que viveu aquilo, porque a fome não dói. A fome ela vai corroendo você por dentro. E o que é mais grave é que as pessoas
têm vergonha de dizer que tá com fome. Eu vou contar um caso meu. Eu fiquei desempregado um ano e meio. Em 1965,
eu arrumei emprego na Villares. E eu tava numa situação tão precária, que teve um dia que eu não levei marmita. Mas eu não levei marmita, eu fui pro bar, onde as pessoas comiam lanche.
E sempre era muito novo de fábrica e sempre os companheiros ficavam oferecendo alguma coisa pra você. "Ô Lula, cê não vai comer?", "Não, eu não tô com fome."
E cada vez que eles colocavam o sanduíche de mortadela na boca, eu imaginava eu mordendo aquele sanduíche. E ficava lá o tempo inteiro, com vergonha
de dizer que tava com fome e voltava pra trabalhar. Isso acontece. Tava dizendo hoje, que eu fui
comer pão pela primeira vez. Eu tinha sete anos de idade. Sete anos que eu fui
comer pão pela primeira vez, porque onde eu nasci, nem tinha dinheiro pra comprar pão, nem tinha lugar pra comprar pão.