Investigation of Lawyer and Politician for Money Laundering
A Polícia Federal encontrou uma sala secreta e suspeita que ela era
usada pelo advogado Willer Thomas pra guardar dinheiro vivo em um
hangar no aeroporto de Brasília. Willer Thomas é amigo de
Flávio Bolsonaro, candidato do PL à presidência.
Os dois são investigados por lavagem de dinheiro.
A porta da sala secreta blindada ficava escondida
atrás de um painel de madeira, que imitava uma parede.
Uma denúncia anônima levou a PF ao local durante uma operação de busca e
apreensão em agosto, em um hangar em Brasília, com aeronaves do
advogado Willer Thomas. A ação fez parte da operação sem
desconto, que apura as fraudes bilionárias no INSS.
Dentro da sala, estantes, uma mala vazia e
uma máquina de contar dinheiro. A existência da sala foi
revelada hoje pelo jornal O Estado de São Paulo.
A polícia suspeita que o local era usado para guardar e
organizar dinheiro vivo, e que os recursos eram transportados
em aviões particulares. Um segundo inquérito investiga o
Willer Thomas por crimes como lavagem de dinheiro e evasão
de divisas, com utilização de casas de apostas.
O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à presidência,
também é investigado nesse inquérito.
Flávio e o Willer são amigos e fizeram viagens juntos para o
exterior, segundo relatórios da PF, que ainda investiga quantas
vezes. A PF descobriu ainda mensagens e uma
planilha
que mostram que o Willer pagou doze mil reais para uma empresa
especializada retirar da internet links de
reportagens que o relacionavam a Flávio Bolsonaro.
No celular de Willer Thomas, a polícia também encontrou e-mails que
mostram que Flávio Bolsonaro foi cadastrado como usuário
master de uma conta bancária da Alcazar, uma das empresas do
advogado. O mercado financeiro classifica o usuário
master
como administrador principal de uma conta, com poderes
irrestritos. A Alcazar está registrada na Ilha da
Madeira, em Portugal, no mesmo endereço de outra empresa de
Willer, a Catedral, usada para pagar viagens de férias de
Flávio e da família na Europa em maio do ano passado.
A Catedral é dona da BestBet, da Rede Loto, uma
casa de apostas esportivas que também pertence a Willer Thomas.
Segundo a PF, em 2003, a Rede Loto foi a primeira bet a
obter autorização da Loterj, loteria do Rio de Janeiro.
Em outro e-mail, o advogado ainda confirma ao compliance de
um banco
ser sócio de uma série de empresas, incluindo a RioPague,
operadora de pagamentos de apostas de lotéricas e bets da Loterj.
Ele vinha negando ser sócio da empresa, mas hoje admitiu à coluna da
jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, manter uma participação
indireta por meio de uma cadeia de sociedades regularmente
constituídas. De acordo com a Polícia Federal, a
movimentação financeira de Willer Thomas é incompatível
com as atividades econômicas do advogado.
No ano passado, segundo o Ministério da Fazenda,
Willer Thomas foi a
pessoa que mais depositou dinheiro em bets no país.
Ele movimentou cerca de cinco bilhões de reais em apostas.
No relatório encaminhado ao Supremo, a PF citou registros de
dias em que o advogado chegou a movimentar mais de trinta e
cinco milhões de reais. A PF apontou a possível
existência de vínculos entre o investigado e estruturas
relacionadas às plataformas utilizadas, e que parte
desses recursos poderia permanecer em estruturas empresariais relacionadas,
alcançar terceiros vinculados ou retornar por outras vias
financeiras. Segundo a polícia, os elementos reunidos
sustentam a hipótese de que as plataformas possam ter sido utilizadas
não apenas para atividade recreativa, mas também para intensa
circulação de recursos, mediante reapostas sucessivas,
aceitação de perdas e posterior retirada de parte do capital.
A defesa...
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