US Sanctions and Political Influence in Latin America
O que está acontecendo na América Latina é extremamente grave e
devemos estar atentos. Às vésperas das eleições no Brasil,
o presidente americano anunciou sanções contra mais de trinta
autoridades latino-americanas de países ligados ao chamado
Escudo das Américas.
O governo americano fala em combate ao narcotráfico, mas as
medidas atingem, em sua maioria, autoridades do sistema
judiciário dos países da região.
Um caso chama particularmente a atenção: o de Fernando Cerimeddo.
Cerimeddo ficou conhecido como operador digital da direita radical.
No Brasil, em 2022, questionou, sem apresentar
provas, o resultado das eleições e a segurança das
urnas. Na Argentina, atuou na campanha digital que
ajudou o atual presidente.
Em agosto, Cerimeddo foi preso na Bolívia depois que
sua
ex-companheira, a advogada Nádia, sofreu uma tentativa de
homicídio. Ela levou seis tiros e sobreviveu.
Cerimeddo passou a ser investigado como possível mandante do ataque.
Durante a investigação, autoridades encontraram estruturas
identificadas como uma fazenda de bots, equipamentos capazes de
operar contas automatizadas e fabricar artificialmente
curtidas, comentários e compartilhamentos.
E então acontece algo ainda mais grave.
O procurador-geral da Bolívia, Mariaca, que comandava a investigação, teve
seu visto americano revogado. Dias depois, ele e outras autoridades foram
presos numa operação contra uma suposta rede de narcotráfico dentro
do Ministério Público. Funcionários denunciaram que a operação
teria
ocorrido sem mandados.
Cerimeddo mantém há anos ligações com a família Bolsonaro
e com redes digitais da extrema direita.
E Flávio Bolsonaro diz que, se eleito, o Brasil fará
parte do Escudo das Américas.
A pergunta é: o que existe por trás desse escudo?
Combate ao crime ou uma nova forma de influência sobre nossas instituições?
Combate ao narcotráfico ou controle total sobre nossos recursos,
soberania e democracia?
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