Post-match analysis of Portugal vs Spain
Ruben, não há muito o que eu possa dizer ou perguntar, mas o que é que achas que falhou aqui em Portugal, não só neste jogo, mas nesta competição e o que é que tiras disto, qual é o ponto que tiras disto e o que é que queres dizer a nós portugueses?
Primeiro que tudo, eu acho que obviamente, e tu sabes melhor que ninguém, numa competição destas, raramente as coisas são perfeitas desde o início e muitas das vezes é melhor que não sejam para ninguém embandear em arco e pensar que está tudo bem e quando chega aos momentos decisivos não termos a capacidade para dar resposta.
Acho que a equipa estava a crescer e mais do que em qualquer outro jogo senti que após o jogo da Colômbia, o jogo da Croácia foi uma prova importantíssima para nós, não foi longe de perfeita, mas foi importante para nós.
Hoje, mais uma vez, senti que continuámos a crescer nesse sentido, infelizmente não ganhamos.
Pessoalmente, aquilo que é a minha experiência na seleção de jogar contra a Espanha hoje, provavelmente foi um dos jogos mais conseguidos que fizemos.
A nível de muitas coisas específicas, obviamente, não sei, vocês terão uma perspectiva se calhar melhor que a minha, mas senti que o jogo foi um bocado equilibrado, não sei se a aposta de bola como é que foi, mas acredito que não seja muito diferente, não seja um escândalo como já foi noutras vezes.
A nível de oportunidades, eles foram perigosos, tiveram aquele lance logo ao início, acabaram por ter o lance do golo, nós se calhar com lances não tão perigosos, mas ainda assim tivemos boas chances em que eu senti que podíamos ter feito o golo, tivemos momentos em que eu senti que mais cedo ou mais tarde a gente os ia quebrar.
Mas, obviamente, no final um sentimento de frustração por sentir que este crescimento estava a existir, por sentir que cada vez íamos conseguir estar melhores, por saber...
O que temos em câmbio e por saber tudo o que temos no banco, obviamente é preciso usarmos isso da melhor maneira possível.
E isso cabe obviamente a todos nós, tentar ir em busca desse caminho.
Mas lá está, frustração por sentir que, acima de tudo, essa frustração de sentir que tínhamos pernas para mais.
Eu não concordo muito com o que estás a dizer, Ruben.
Desde o início até agora, achei que vocês podiam dar muito mais, porque lá está, estávamos aqui a falar.
E eu estava a dizer isso, que vocês estão num patamar muito elevado e quase todos vocês são considerados os melhores do mundo.
Eu acho que a qualidade e o talento que vocês têm podiam dar muito mais.
A Espanha boa seleção é, mas vocês têm seleção suficiente, ou nós, neste caso, temos seleção suficiente para ganhar a Espanha.
Senti vocês a jogar muito para trás, para o lado, muito na posse de bola.
Não pescar muita profundidade, não arrematar tanto a baliza, não procurar tantas vezes o gol como procurámos agora nos últimos 5 minutos.
Criámos oportunidades do Bernardo e depois do Odo, ao final, não sei quem capseou.
O Félix já esteve uma.
Não, o Félix já tinha saído, foi agora acabar o jogo.
Foi o Bernardo, foi o Bernardo.
Tirando isso, não fizemos assim nada de mais.
Estás a falar da posse de bola, ok.
Tivemos posse de bola, mas a posse de bola não ganha jogos.
Se eu olhasse para vocês e não visse talento e qualidade suficiente para ganhar esta Espanha, não estaria aqui a dizer que não concordava contigo.
Sendo assim, mas eu entendo, estás a defender o nosso país.
da nossa seleção, conheço a tua personalidade e fazes bem de defender, mas pá, não posso
dizer que estou por aqui.
É assim, em relação ao que estás a dizer, eu acho que tu passaste tempo suficiente
neste contexto para entender precisamente todos os entornos do que rodeia uma seleção
e as diferentes personalidades e as diferentes mentalidades de cada um a tentarem-se juntar,
e ou seja, eu acho que é bastante sabido, até o Bernardo acho que mencionou isso há
pouco tempo na conferência dele, de que nós, Portugal, nós temos muito boas individualidades
mas não temos na nossa grande essência um conceito de jogo como por exemplo tem a Espanha,
e a Espanha toda a gente que sai da nova fornada tem tudo o mesmo pensamento, pensa tudo da
mesma maneira, sabem tudo o que têm que ir em busca.
Eu sei que tu no teu papel sempre foste um jogador mais virtuoso e um jogador de teres
a tua missão de teres que vencer o teu um para um, e ou seja, e aqui quando falamos
de jogar bem há muito mais do que apenas essa virtuosidade e esse confronto direto
envolvido no como é que nós jogamos bem, e isso vai desde nós conseguimos ter a bola
para garantir que não andamos o jogo todo a correr e depois perdemos a energia para
conseguir ser efetivos com a bola, faz parte ter a paciência de nem todas as transições
apesar de às vezes estar lá o espaço terem que sair, e muitas têm que sair, mas muitas
vezes nós temos que ter a paciência para ter a bola, é a pressão como eu te disse,
é o equilíbrio, nós temos que ir em busca do equilíbrio, e esse equilíbrio não é
fácil porque muitos jogadores pensam de maneira diferente e depois temos todas as circunstâncias
que...
Mas tens que aproveitar as qualidades dos teus colegas, tens o Rafael Leão que não...
Estou completamente de acordo, temos que aproveitar os colegas...
Que busca a profundidade, o próprio Neto, o próprio Francisco, são miúdos que podem
ir num contra um...
e de um momento para o outro desequilibrarem-te.
Sem dúvida alguma, mas é preciso fazer isso no tempo certo.
Não é só estar sempre na posse de bola a jogar para trás e para o lado.
Tens que jogar mais para a frente, entendes?
E procurar mais esses jogadores.
Eu sinceramente e da minha opinião...
Cada um com a sua opinião e eu respeito a tua.
Com certeza e cada um com a sua opinião, sem dúvida alguma.
Mas eu acho que esse pensamento é redutor ao nível de
iludir as pessoas que nós não o fazemos porque não queremos.
Isto é que ninguém está a iludir.
Estou a falar no sentido em que nós temos que jogar o jogo que jogamos
e que vamos em busca de jogar para conseguir encontrar equilíbrio.
Porque loucura não nos traz nada positivo.
Loucura traz-nos correr atrás da bola e traz-nos para sítios que nós não dominamos.
E portanto, sim, tem que haver objetividade e nós vamos em busca dessa objetividade.
Mas ao final de contas, nós temos que ir à procura de um equilíbrio que nos ajude
a trazer passo a passo o melhor de cada um.
E eu acho que entrar numa loucura e entrar numa de...
Temos que fazer mais. Pum, pum, pum. Para a frente, para a frente.
Um para uns, um para uns, um para uns.
Quer dizer, nós vimos hoje a própria Espanha e vimos que sem controle
é difícil chegar e lá está. E estamos a falar disto tudo agora.
Mas eu volto a dizer o que disse ao início.
Eu acho genuinamente que isto foi um dos melhores jogos que nós já fizemos contra a Espanha
a nível de conseguir equilibrar essa parte e depois aí sim deixar os momentos certos
para tentarmos decidir o jogo.
Mas infelizmente não se foi para nós.
Obrigado, não. Boa sorte.
Obrigado, amigo. Estamos juntos.
End of transcript · 1,286 words