Fernando confronta a avó sobre orientação sexual e homofobia
Você tem alguma coisa com o irmão da Adriana?
Eu não tô entendendo esse tipo de pergunta, não, vó.
Mas é que e-eu ouvi você conversando com o Edivaldo que você tinha, tinha
mandado flores pra um rapaz. Esse rapaz é o Maurício?
Seu cafézinho.
Obrigado. Quer dizer que a senhora tava ouvindo
atrás da porta?
Hum.
Isso é ridículo, isso é uma falta de respeito.
A minha conversa era com o Edivaldo, particular, eu e ele.
Não, não venha me criticar, não. Não, sabe por quê?
Porque eu sou sua avó e os fins justificam os meios, sabe?
Eu não vou ficar vendo meu único neto se perder sem fazer nada.
Tem ninguém aqui se perdendo, não. Isso é, isso é delírio da sua cabeça.
Ah, meu chinho, eu não tô ficando louca, não. Já vivi muito, Fernando.
Eu sei muito bem perceber quando um rapaz é invertido.
A senhora falou invertido?
Eu sempre, eu sempre reparei, sabe, ne, nos, nos, nos, nesse jeito estranho
assim do, daquele menino e... Mas você não é como
ele.
Vó, presta atenção no que a senhora tá
falando, porque a senhora, além de
antiquada, tá sendo preconceituosa.
Isso não é jeito de qualificar uma pessoa.
E tem, tem uma outra, outra forma de, de falar?
Esse menino está te levando pro mau caminho, mas você não é
como ele. Nunca foi e nunca será.
Como é que a senhora pode ter tanta certeza assim de quem tá me levando pro
mau
caminho?
Eu sinto.
Vó, ninguém influencia na orientação sexual de
outra pessoa.
Isso é muito próprio, isso é muito íntimo, é pessoal de cada um.
Fernando, você nunca teve esses trejeitos.
Você sempre foi um rapaz másculo.
Isso por acaso me faz melhor do que o Maurício? Porque eu sou mais másculo?
Isso aí que a senhora tá fazendo tem nome. Se chama homofobia.
E eu acho melhor a senhora rever seus conceitos, urgentemente.
Fernando. Fernando
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