Policial critica proposta de Flávio Bolsonaro sobre rastreamento de munições
A sua vida está em risco e eu quero que você assista esse vídeo até o final,
porque tudo vai fazer sentido. Você sabe que eu sou policial civil,
você sabe que
eu atuava na divisão de homicídios da Polícia Civil do Estado do Rio Grande do
Sul,
que eu sou formado operador tático pelo grupamento de operações especiais, que
é a CORE, no curso de operações táticas especiais
aqui da Polícia Civil do Rio
Grande do Sul. E eu preciso te fazer um alerta que tem
toda a ligação
com as eleições de domingo. E eu quero que você reflita bem sobre o
que eu vou
falar, porque a sua vida realmente está em risco
e você vai entender o motivo,
perfeito? Fica comigo até o final.
Isso aqui é um carregador que vai inserido na arma.
Pode ser uma pistola, pode ser uma submetralhadora, um fuzil,
tanto faz.
E aqui o carregador puxa e aqui nós temos um cartucho. Perfeito?
Cartucho, estojo, projetil. O projetil aqui, né, nós temos o
estojo sendo ejetado. Cada disparo de arma de fogo ejeta esse
estojo.
O projetil vai pra frente, sai pelo cano, atinge o alvo ou não.
Aí isso também vai uti-- a perícia vai utilizar.
Mas a arma faz esse movimento aqui, né?
Cada disparo, ela abre essa janela e, e o estojo é ejetado,
perfeito? O projetil sai, o estojo fica no local.
Onde eu atiro é onde fica o estojo, bem no local. O que que acontece?
A perícia vai até o local, a polícia vai até o local,
tenta localizar o projetil.
Se tiver no corpo, isso vai ser utilizado pra perícia,
pra ver se a arma é a mesma,
etc. E o estojo fica. Eu quero falar do estojo especificamente
agora.
E você vai entender porque isso é gravíssimo,
o que está acontecendo e por que que
a sua vida está em risco. Eu vou tentar achar aqui,
que é bem difícil de achar,
porque tem que ter lupa pra isso, tá? Mas eu acho que eu achei aqui, aqui.
Se for observar, tem tipo um risquinho, tá? Aqui. No colote também.
Esse risquinho é o registro, na verdade.
Isso é ampliado depois pelas ferramentas da perícia e da polícia e
tem o registro. Cada, cada munição dessa, cada
cartucho, no final, cada estojo, tem um registro específico.
A gente sabe o lote, a gente sabe da onde veio,
a gente sabe pra onde foi vendido,
a gente sabe tudo a partir disso. Então uma investigação de homicídio é
muito
importante, tu vais saber de onde é que veio essa
munição.
E aí sabendo de onde é que veio, tu vai até, por exemplo, um batalhão, uma
delegacia ou uma loja e chega e explica: "Ô, vem cá, como é que essa munição foi
desviada?" E aí tu vai descobrir, geralmente tu descobre quem ganhou
dinheiro ou
quem desviou essa munição, perfeito?
E aí tu começa, através das relações dessa pessoa,
chegar aos mandantes do crime,
aos assassinos. Isso é muito importante, principalmente no Brasil, que é um dos
países que tem a menor taxa de elucidação de homicídios do mundo, e um dos
países com as maiores taxas. Mas um detalhe, né.
No último ano do governo Bolsonaro, foram cinquenta e dois mil homicídios.
Agora no governo Lula, trinta e dois mil, ou seja, vinte mil a menos agora, eles
querem dizer que bom era na época do Bolsonaro. Mas isso não vem ao caso,
ou vem?
Agora eu quero falar sobre isso aqui.
Isso aqui, graças a isso, milhares, milhões talvez de homicídios tenham
sido elucidados, através da possibilidade de rastrear a
munição.
Inclusive o homicídio da Mariele Franco, que só foi possível descobrir
por causa desse registro na munição.
E aí eu pergunto: sabe quem é contrário a esse registro nas
munições? Flávio Bolsonaro, através da Lei três-- a Lei é
3723 de 2019. E ele quer retirar a obrigatoriedade disso
aqui. E aí começa a pensar, né, 2019, Mariele Franco,
Flávio Bolsonaro enviando duzentos mil reais de dinheiro público pra ONG,
os irmãos
Brazão, os mandantes do assassino da Mariele
Franco.
Ele homenageando Adriano da Nóbrega, o maior assassino miliciano do mesmo grupo
que
matou a Mariele Franco, homenageou e colocou dentro do gabinete
dele também as
familiares do Adriano da Nóbrega.
Ele também defendeu os assassinos da juíza Patrícia Acioli, que investigava o crime
organizado do Rio de Janeiro, inclusive as milícias,
com vinte e um disparos de
arma de fuzil, e só foi possível descobrir os mandantes e
os assassinos por causa
desse registro. E o Flávio Bolsonaro defendeu os
assassinos.
Também a menina Ana Clara, uma menina de cinco anos,
morta com tiro de
fuzil na porta de casa. Só foi possível descobrir quem tinha
matado ela através
desse registro. Sabe quem defendeu o assassino?
Flávio Bolsonaro.
É só você pesquisar aí. E aí eu pergunto pro senhor e pra senhora,
se um familiar
seu, se você mesmo, a esposa, amigo, uma amiga, vier a ser
vítima de um latrocínio, tentaram roubar e mataram,
de um homicídio,
você não vai ser-- não vai querer saber da onde veio essa
munição, não vai querer
saber quem são os mandantes, não vai querer saber quem está por trás
desse
assassinato? Honestamente, pensa, larga assim a questão "ah,
eu odeio o Lula", não
é esse o ponto. Você não vai querer ajudar a polícia a
investigar os crimes de
homicídio e latrocínio? Sério mesmo que você não vai querer que a
polícia tenha
ferramentas de investigação simplesmente porque é um-- tá querendo votar num cara
que nitidamente tem vínculos com o crime organizado, desde o Banco Master até o
INSS e com o crime organizado real?
Essa munição, essa lei dele demonstra pra quem ele tá
trabalhando, no meu
entendimento, porque isso atrapalha e muito a
investigação de homicídios.
Aqui fala um policial da divisão de homicídios e eu espero ter deixado muito
claro
a dificuldade que vai ser investigar e o quanto isso ajuda as
investigações. Não é difícil de entender.
Talvez, infelizmente, inclusive, a sua morte ou da morte de um familiar
seu,
que pode ficar sem elucidação graças a uma lei do Flávio Bolsonaro.
E por isso que no domingo você tem que pensar bem onde vai depositar o
teu voto e pra quem está trabalhando cada político.
Pra mim, quem é contrário à marcação das munições,
tá trabalhando para o
crime organizado.
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