Janones, engajamento negativo e algoritmos nas eleições
O grande mérito do Janones
nessa eleição foi justamente
explicar pra esse campo-
Exatamente
É, a esquerda, como
funciona engajamento em redes
sociais.
É.
Falar: "Olha, engajamento
negativo também é engajamento.
O algoritmo não quer saber se você tá
comentando porque você adorou ou se você
tá
comentando porque você detestou."
Exatamente.
Ele quer saber que a
sua atenção foi capturada.
É uma grande máquina de consumir atenção.
É.
A nossa atenção não é capturada
só por aquilo que a gente ama.
Aliás, muitas vezes ela é mais capturada por
aquilo que a gente odeia.
Então é resistir à tentação de
ficar dando engajamento
pro outro lado. E foi essa
pedagogia aí que acho que o
Janones operou com
maestria.
Maestria. Cê acha
que esse é o caminho das próximas
eleições?
Eu espero que não, porque eu
espero que até as próximas
eleições a gente tenha sido
capaz, nesse quarto mandato do Lula,
de assegurar um
espaço informacional,
um espaço de informação, uma internet,
um espaço de redes
sociais verdadeiramente livre.
Claro, claro.
Que não dependa dessa
tirania de meia dúzia--
meia dúzia não, né, de duas
empresas, essencialmente.
Sim, sim.
É, três, se a gente for considerar ali o X e tal.
Quatro, se você considerar o TikTok, né.
Então, realmente, menos
de meia dúzia de empresas,
de grandes empresas, as famosas
big techs, que a gente
não seja tão dependente da
tirania delas.
Porque hoje, quando
você posta uma coisa no Instagram
ou você posta uma coisa no
X, você não tem nenhuma clareza sobre quem
vai ver
aquilo, você não escolhe o que você próprio quer
ver.
É um algoritmo perfeitamente opaco, sem
nenhum tipo de transparência-
Perfeito
...que vai te entregando conteúdo.
Então é perfeitamente possível, por
exemplo, que a Meta, silenciosamente,
sem precisar derrubar uma página,
derrube o alcance daquela página.
E a gente não tem como saber.
Não sabe, não tem como saber.
Então, hoje a gente não tem um espaço de
informação livre.
A gente tem um espaço de informação que
funciona a partir de uma lógica
ditatorial,
em que poucas empresas privadas,
nenhuma delas brasileira, aliás,
mas mesmo que fossem brasileiras seria problemático.
É, claro.
E só, né, cria mais uma camada, um agravante.
Poucas empresas privadas
controlam de maneira
absolutamente
opaca, sem nenhuma transparência, aquilo
que a gente consome de
informação. Então, a gente
acha que a gente precisa parar de
ficar num
discurso de simplesmente
regulação de plataformas, como se a gente
quisesse criar uma internet
onde as pessoas podem menos,
elas podem postar menos,
elas podem falar menos,
elas têm menos liberdade de expressão.
E é o contrário. A gente quer
uma internet com liberdade de
expressão.
E uma internet onde a sua expressão
é condicionada àquilo que a
Meta decidiu-
Não, não, não
...que era relevante, não é uma internet livre.
Não é uma internet livre.
Então eu realmente espero que a gente
possa criar um ambiente de informação mais
livre do algoritmo, trazer, sim,
um marco regulatório, mas muito mais no
sentido de assegurar a liberdade,
assegurar a transparência,
que você não possa ser
derrubado sem um pr-- um devido processo legal,
que não possam tirar a sua página,
que muitas vezes é seu ganha-pão-
Sim, sim
...sem te explicar por quê. E que ao fazer isso,
a gente possa passar pelo próximo
pleito sem precisar hackear um
algoritmo maluco de um gringo reacionário.
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