Analysis of Legal Controversy in Brazil
Vou aqui elencar todas as ilegalidades dessa decisão de
hoje do Flávio Dino. Ontem, o ministro André Mendonça
afastou Andrei Rodrigues da direção-geral da PF e a
segunda turma do Supremo fez maioria, ontem
mesmo, pra confirmar. Hoje, o ministro Flávio
Dino, sozinho, mandou reintegrá-lo na
direção-geral da PF. Ou seja, Flávio Dino
passou por cima do relator, passou por cima de toda a segunda turma do
Supremo e do próprio presidente do Supremo.
Roubou o processo pra ele e saiu correndo.
De início, qual a legitimidade do Andrei
Rodrigues pra fazer esse pedido? E
direto para o Flávio Dino. Tudo
ilegal e armado. Andrei não recorreu à
turma, não respondeu ao Fachin, que já lhe dera
prazo,
foi direto ao gabinete do Dino. Lembrem,
Flávio Dino, enquanto ministro da Justiça do Lula,
que deu posse e nomeou Andrei Rodrigues como
diretor-geral da PF.
E agora, num processo que Andrei não é parte, usou
um instrumento de processo civil dentro de uma petição
criminal e escolheu o relator, como já fez
antes, pra fugir do Mendonça e blindar o Lulinha.
E o que que o Dino fez? Determinou a reintegração de
Andrei e o diretor de inteligência e deu salvo
conduto, blindagem contra novas cautelares.
Vamos agora a todas as demais irregularidades da decisão
de hoje do Flávio Dino. Primeira: ministro não
revisa ministro. Decisão de relator se discute por
agravo no colegiado. Dino cassou uma liminar
já referendada por maioria da segunda
turma. Isso não existe no regimento.
Segundo: a AGU pediu a suspensão do ato ao
presidente Fachin, que deu setenta e duas horas a Mendonça
pra se
manifestar. Dino não esperou. Decidiu
sozinho o que a AGU pediu ao presidente do STF
e que foi reservado ao plenário. Além da presidência do
STF, atropelou também até a AGU, os donos
do poder.
Terceira: no item vinte da decisão, Dino
escreve que somente o plenário pode apreciar essa
controvérsia. Se somente o plenário pode,
Dino não pode.
Quarta: dois pesos. Pra ele, o Partido
Novo não podia pedir o afastamento, porque partido não é
parte no processo penal.
Mas e o delegado, o Andrei, ele é parte?
Pode pedir em causa própria?
E quem não se lembra da AGU e do Randolfe no oito de janeiro?
E o Lindberg nos processos do Moraes?
Mas o Novo, que é um partido com representatividade no
Congresso Nacional, não pode? Está aí
escancarado pra imprensa, inclusive, os seus
ditadores antidemocráticos destruindo
garantias e textos legais.
Quinta irregularidade: é falsa a premissa do Dino.
Ele diz que Andrei limitou-se a cumprir determinações
judiciais de Moraes.
Os relatórios são de três a trinta e um de agosto.
A ordem de Moraes é de primeiro de setembro.
E o próprio Moraes escreveu que a deu em virtude
de notícias da existência de relatórios.
Não se cumpre em agosto uma ordem de setembro.
E o próprio Andrei admitiu a uma jornalista da Globo
News que a PF fazia relatórios para o seu próprio
consumo.
Ou seja, isso é além de uma ordem judicial
irregular. Isso é dossiê, uma organização
criminosa concentrando poder da República.
Sexta: a desculpa do Dark Horse.
Diretor-geral não preside inquérito.
Quem preside é o delegado que está como autoridade no feito,
inclusive protegido por lei contra o próprio diretor-geral.
E o diretor-executivo, substituto do Andrei, que
fez um discurso abestalhado, como cachorro que caiu do caminhão da
mudança,
mas assumiu no mesmo dia no lugar do Andrei.
Ou seja, a PF não parou.
O Dino não precisa de um diretor-geral, ele precisa é do
Andrei dele. Eles não admitem que o Andrei,
o braço da perseguição promovida por eles,
tenha caído.
Sétima: o silêncio. Nem uma
linha sobre o monitoramento de um ministro do Supremo,
do monitoramento do advogado-geral da União.
Nem uma linha sobre o risco à segurança e integridade
pessoal de um integrante do tribunal, registrado
pelo Mendonça.
O que que isso tudo revela? Um ministro cassando decisão
de outro ministro, processo civil em petição
criminal, ordem ilegal ao Executivo com prazo de
validade, blindagem contra decisões de outros
ministros. E a frase do item oito que se volta
contra o próprio Dino: "A interrupção dos trabalhos
interessa sobretudo aos investigados".
Com certeza, a reintegração do Andrei interessa
sobretudo ao Andrei, ao Alexandre de Moraes e ao
Paulo Gonet, cheios de evidências de
ilícitos. O que está em jogo agora não é a
Polícia Federal, é a continuidade de um esquema.
Relatório sob encomenda, relator certo pra cada
pedido e um diretor-geral que só responde aos
seus ministros políticos, e não à lei.
Ministro Fachin, o senhor tem nas mãos a PET
16704 e a carta de treze
ex-ministros do Supremo. Duas providências não podem esperar.
Primeira: determine a investigação de Alexandre de
Moraes.
Há relatórios clandestinos sobre um colega de
tribunal com ciência prévia dele.
Cento e trinta e um milhões do Master para o escritório da família,
cartões, jatinhos e helicópteros.
Segunda: decida contra a ilegalidade do Dino.
Suspenda a reintegração e faça prevalecer a
decisão da segunda turma. O Brasil está vendo, a verdade está
escancarada.
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