Discussion on Militia Influence in Rio

É isso, gente, vim aqui falar do Flávio novamente.

Quando acabou o debate da Band, muita gente entrou na internet e

perguntou: "O que

são as milícias? Que relação é essa entre Flávio e milícia?

Por que que no Rio de Janeiro todo mundo diz que o Flávio é miliciano?" Pois bem,

eu vim aqui explicar isso. Eu fui o presidente da Comissão

Parlamentar de

Inquérito da CPI, que investigou a ação das milícias.

Eu apresentei essa CPI no ano de 2007, porque em 2006 eu tive meu

irmão assassinado por uma milícia, quando eu era candidato a deputado

estadual

ainda. Em 2007, eu apresentei o pedido de CPI e ela não

foi aprovada, ela

ficou arquivada. Em 2008, um grupo de jornalistas foi

barbaramente torturado pela milícia e isso gerou uma grande comoção

dos meios de comunicação e também da sociedade.

E aí, eu consegui aprovar a CPI das Milícias,

com dois votos

contrários, apenas dois votos contrários de toda a

Assembleia Legislativa.

Flávio Bolsonaro e Domingos Brazão, o mesmo que tá preso pelo assassinato da

Marielle. E aí começa essa história. Como surgem essas milícias?

Início dos anos 2000. Policiais, ex-policiais,

bombeiros, militares, agentes da segurança pública, que moravam

principalmente na zona oeste do Rio de Janeiro.

Aí eu tô falando de Campo Grande e de Rio das Pedras, que é a origem das

milícias. Isso hoje é um território muito maior,

se espalha por toda a região

metropolitana e já aparece em alguns lugares do interior do Rio de Janeiro,

mas a

origem é fundamentalmente bairro de Campo Grande, zona oeste, e Rio das Pedras.

Esses policiais dominam o território, dominam militarmente esse território,

dominam

a vida das pessoas e dominam os serviços, né.

O discurso da milícia no início, é um discurso de ordem,

pra se diferenciar do

tráfico de drogas. "Olha, aqui não tem tráfico,

aqui não tem baile funk, aqui

ninguém vai descolorir o cabelo, aqui não é bagunça, aqui é ordem".

O discurso é da ordem, mas a prática é do crime.

Sim, dominam a vida das pessoas. Dominam, por exemplo, toda entrega de gás.

Toda entrega de gás passa a ser feita pela milícia.

Toda a internet, todo o transporte alternativo.

Cobram taxa de segurança. E eu, na época, caracterizei de eu lhe protejo de

mim mesmo, né? Porque essa era uma taxa de segurança,

uma extorsão direta.

Controlam a agiotagem. Sim, fazem empréstimos. E matam muita gente.

Todo mundo que discordava, todo mundo que queria denunciar, é morto.

O índice de homicídio do Rio de Janeiro coincide muito com as áreas de milícia

nesse início dos anos 2000. Eles se estabelecem pelo terror,

mas todo dono de

milícia, curiosamente, se transforma em dono de centro social.

A milícia age como uma máfia. De um lado, o terror, a possibilidade da morte

e a violência. Do outro lado, a assistência.

A milícia age com agentes públicos, supostamente substituindo o

Estado, mas ganhando muito dinheiro com isso.

Eu não recebi com nenhuma estranheza a informação de que Flávio Bolsonaro

teve oitenta e seis por cento dos votos nas áreas dominadas

por esse grupo criminoso que nós chamamos de milícia.

Sim, o Flávio foi o candidato das milícias.

Se você tem alguma dúvida que Flávio Bolsonaro defende milícia, olha esse

vídeo de 2007, na Assembleia Legislativa do Rio de

Janeiro, eu e ele

fazendo um debate, mas olha a fala dele defendendo milícia.

Presta atenção.

Não se pode levar pro lado e simplesmente estigmatizar a

milícia, em especial os policiais que estão

envolvidos nesse novo

tipo aí de policiamento, vamos dizer assim.

Por isso não é de se estranhar que Flávio Bolsonaro tenha ficado tão íntimo do

capitão Adriano. O capitão Adriano foi um dos maiores

milicianos, era o principal

matador da milícia. O Flávio teve aula de tiro com o capitão

Adriano, empregou no

gabinete dele a mulher e a mãe do capitão Adriano.

O Flávio Bolsonaro teve uma relação direta com o major Ronald, que tá preso há

muito tempo por ser da milícia de Rio das Pedras.

Então o Flávio Bolsonaro, ele tem essa origem, né,

junto com as milícias.

Então quando no Rio de Janeiro dizem que ele tem relação com as milícias, ele não

precisa ser dono, mas ele sempre foi um porta-voz dessa

milícia, um porta-voz de um

crime organizado que é mafioso. Por isso, é tão temerário a

possibilidade de um cara com essa relação com a milícia virar presidente da

República no Brasil.

Porque pega-se uma exceção, um caso isolado, onde há excesso por parte

de algum, alguns maus policiais, que cometem atrocidades, covardias

contra moradores de uma comunidade, e estender isso à regra desse instituto

que é milícia.

Pra que vocês tenham uma ideia, a venda de drogas hoje,

nas favelas do Rio de

Janeiro, corresponde apenas a dez por cento do

faturamento, tanto do tráfico como

da milícia. Porque hoje tráfico e milícia operam

igualmente, da mesma forma,

explorando a vida das pessoas e os serviços nesses bairros e nessas

comunidades.

Noventa por cento do dinheiro, tanto do tráfico como da milícia, tanto

do Comando Vermelho como da milícia, vem do gás, da internet, do

transporte alternativo, ou seja, da exploração direta sobre os moradores.

Tráfico e milícia começam a eleger gente.

Barcelar, aliado de Flávio Bolsonaro, presidente da Assembleia Legislativa, foi

preso por relações com o Comando Vermelho.

TH Joias, deputado ligado a Flávio Bolsonaro,

foi preso por relações com o Comando

Vermelho. Além da extensa lista de milicianos que

eles sempre se envolveram.

Então, a vida das pessoas é muito sacrificada

pelo domínio de território, pelo

grupo político que apoia esse tipo de crime organizado no Rio.

O Flávio representa este Rio de Janeiro que a gente não quer pro Brasil.

Por isso, em nome da segurança pública, em nome de quem conhece o Rio e de quem

conhece Flávio Bolsonaro, eu peço seu voto em Lula treze, pra

combater o crime organizado e não deixar que os seus representantes cheguem à

Presidência da República.

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