0:00

A los portugueses: ha llegado el día de devolver la camiseta número siete de la selección de todos nosotros.

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Nunca la sentí como exclusivamente mía, pero durante veintitrés años tuve el privilegio y la responsabilidad de vestirla, de defenderla y de llevarla conmigo a estadios de todo el mundo.

0:19

Hoy ha llegado el momento de entregársela al futuro.

0:23

No fue una decisión fácil, porque hay decisiones que no se toman solo con la cabeza, también se toman con el corazón.

0:30

Termina un camino que empezó en agosto de 2003 y cambió mi vida para siempre.

0:36

Cuando miro atrás y pienso en todo lo que viví con la selección, no veo solo partidos, goles, récords o trofeos.

0:43

Veo personas. Veo a emigrantes que, durante noventa minutos, sentían Portugal un poco más cerca.

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Veo a millones de portugueses que nunca conocí en persona, pero que formaron parte de mi vida.

0:55

Porque, al final de todo, el fútbol es mucho más que un juego.

1:00

El fútbol son las personas. Durante toda mi carrera con la selección, intenté superar mis límites.

1:07

Quise ganar, quise ser el mejor, quise hacer historia.

1:11

Siempre fui exigente conmigo mismo. Siempre quise más.

1:14

Siempre creí que podíamos llegar más lejos.

1:17

Y lo di todo por esta camiseta. Hubo tardes y noches perfectas, hubo victorias que nunca olvidaré, hubo derrotas que todavía hoy me cuesta recordar.

1:27

También fallé, también sufrí, también hubo momentos en que no fui capaz de darles a los portugueses lo que tanto deseaban.

1:34

Pero nunca me rendí. Y, sobre todo, nunca dejé de sentir orgullo por representar a Portugal.

1:40

A lo largo de estos años aprendí cosas muy sencillas.

1:43

Los goles pasan, las copas se quedan en los museos, los récords acaban batiéndose.

1:48

Pero hay algo que el tiempo nunca consigue borrar: el lugar que ocupamos en el corazón de la gente.

1:54

Si alguna vez os hice felices, si alguna vez un gol mío os hizo abrazar a alguien, olvidar una preocupación o sentir orgullo por nuestro país, entonces todo valió la pena.

2:04

Porque ser portugués también es eso. Sufrimos juntos, nos levantamos juntos.

2:11

Volvemos a creer. Portugal siempre necesitará jóvenes que sueñen, jugadores que nunca se rindan, nuevas generaciones que crean que es posible llegar adonde nadie ha llegado.

2:22

Porque un país que sigue creando nuevos héroes es un país que nunca deja de creer en sí mismo.

2:28

A mis compañeros de la selección, quiero dedicarles unas palabras especiales.

2:31

Gracias por cada carrera, Por cada abrazo, por cada discusión, por cada silencio antes de salir al campo, por cada victoria que celebramos juntos y por cada derrota que nos hizo más fuertes.

2:43

Tuve el privilegio de ser vuestro capitán, pero ningún capitán camina solo.

2:48

Y vosotros formáis parte de mi historia.

2:52

A todos los entrenadores, directivos, médicos, fisioterapeutas, utilleros, empleados y tantas personas que han trabajado conmigo a lo largo de estos años, mi agradecimiento.

3:01

Muchos de vosotros nunca aparecisteis en las fotografías, pero sin vosotros ninguna de esas fotografías habría sido posible.

3:08

A mi familia, gracias por compartir conmigo este sueño.

3:13

Gracias por comprender las ausencias, los sacrificios y los momentos en que la selección tuvo que ocupar un espacio que también os pertenecía.

3:20

Si he llegado tan lejos, Fue porque siempre estuvimos unidos.

3:24

Y a los portugueses, a todos los portugueses repartidos por el mundo, quiero deciros una última cosa.

3:30

Hay una imagen que siempre llevaré conmigo.

3:33

El momento en que empieza el himno nacional.

3:36

Miro a mi alrededor, veo a mis compañeros, veo las gradas, veo a niños, madres, padres y abuelos, veo a portugueses que vinieron desde tan lejos solo para estar allí.

3:45

Y durante esos minutos dejamos de ser diferentes.

3:49

No hay clubes, no hay colores, no hay clases, no hay profesiones, no hay opiniones.

3:56

Solo hay una pasión: Portugal. Ese es el sentimiento que llevaré conmigo el resto de mi vida.

4:04

Hoy termina mi trayectoria dentro del campo con la selección nacional.

4:08

Me voy con la cabeza bien alta, orgulloso del camino que he recorrido y con la conciencia de que Lo di todo por Portugal.

4:15

Pero nunca dejaré de ser uno de ustedes.

4:17

Seguiré sufriendo, emocionándome y celebrando cada victoria de Portugal como si…

4:23

Me pasé la vida trabajando para ser el mejor jugador del mundo.

4:26

Hoy entiendo que la mayor victoria fue haber merecido representar al mejor país del mundo.

4:31

Gracias por estos veintitrés años. Gracias por haber creído en mí.

4:36

Gracias por haberme permitido vivir un sueño que comenzó cuando yo era solo un niño, en Madeira, corriendo detrás de un balón.

4:43

La camiseta número siete se queda. El orgullo de haberla vestido será mío para siempre.

4:49

Portugal siempre estará en mí. Hasta siempre.

4:54

Cristiano Ronaldo.

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Original transcript (Portuguese)

Aos portugueses: chegou o dia de devolver a camisola sete da seleção de todos nós.

Nunca a senti como exclusivamente minha, mas durante vinte e três anos tive o privilégio e a responsabilidade de a vestir, de a defender e de a levar comigo para estádios no mundo inteiro.

Hoje chegou o momento de entregar ao futuro.

Não foi uma decisão fácil, porque há decisões que não se tomam apenas com a cabeça, tomam-se também com o coração.

Termina uma caminhada que começou em agosto de 2003 e mudou a minha vida para sempre.

Quando olho para trás e penso em tudo o que vivi na seleção, não vejo apenas jogos, golos, recordes ou troféus.

Vejo pessoas. Vejo imigrantes que, durante noventa minutos, sentiam Portugal um pouco mais perto.

Vejo milhões de portugueses que nunca conheci pessoalmente, mas que fizeram parte da minha vida.

Porque, no fim de tudo, o futebol é muito maior do que um jogo.

O futebol são as pessoas. Durante toda a minha carreira na seleção, procurei superar os meus limites.

Quis ganhar, quis ser o melhor, quis fazer história.

Sempre fui exigente comigo próprio. Sempre quis mais.

Sempre acreditei que podíamos chegar mais longe.

E dei tudo o que tinha por esta camisola.

Houve tardes e noites perfeitas, houve vitórias que nunca esquecerei, houve derrotas que ainda hoje me custa recordar.

Também falhei, também sofri, também houve momentos em que não fui capaz de dar aos portugueses aquilo que tanto desejavam.

Mas nunca desisti. E, acima de tudo, nunca deixei de sentir orgulho por representar Portugal.

Ao longo destes anos aprendi coisas muito simples.

Os golos passam, as taças ficam nos museus, os recordes acabam por ser batidos.

Mas há algo que o tempo nunca consegue apagar: o lugar que ocupamos no coração das pessoas.

Se alguma vez vos fiz feliz, se alguma vez um golo meu vos fez abraçar alguém, esquecer uma preocupação ou sentir orgulho no nosso país, então tudo valeu a pena.

Porque ser português também é isso. Sofremos juntos, levantamo-nos juntos.

Acreditamos outra vez. Portugal precisará sempre de jovens que sonhem, de jogadores que nunca desistam, de novas gerações que acreditem que é possível chegar onde ninguém chegou.

Porque um país que continua a criar novos heróis é um país que nunca deixa de acreditar em si próprio.

Aos meus companheiros da seleção, quero deixar uma palavra especial.

Obrigado por cada corrida, por cada abraço, por cada discussão, por cada silêncio antes de entrar em campo, por cada vitória que celebramos juntos e por cada derrota que nos tornou mais fortes.

Tive o privilégio de ser vosso capitão, mas nenhum capitão caminha sozinho.

E vocês fazem parte da minha história. A todos os treinadores, dirigentes, médicos, fisioterapeutas, roupeiros, funcionários e a tantas pessoas que trabalham comigo ao longo destes anos, o meu obrigado.

Muitos de vocês nunca apareceram nas fotografias, mas sem vocês nenhuma dessas fotografias teria sido possível.

À minha família, obrigado por terem dividido comigo este sonho.

Obrigado por compreender as ausências, os sacrifícios e os momentos em que a seleção teve de ocupar um espaço que também vos pertencia.

Se cheguei tão longe, foi porque estivemos sempre de mão dada.

E aos portugueses, a todos os portugueses espalhados pelo mundo, quero dizer-vos uma última coisa.

Há uma imagem que levarei sempre comigo.

O momento em que começa o hino nacional.

Olho à minha volta, vejo os meus companheiros, vejo as bancadas, vejo crianças, mães, pais e avós, vejo portugueses que vieram de tão longe apenas para estar ali.

E durante aqueles minutos deixamos de ser diferentes.

Não existem clubes, não existem cores, não existem classes, não existem profissões, não existem opiniões.

Existe apenas uma paixão: Portugal. É esse sentimento que levarei comigo para o resto da vida.

Hoje termina a minha caminhada dentro de campo Saio de cabeça levantada, com orgulho no caminho que fiz e com a consciência de que dei tudo o que tinha por Portugal.

Mas nunca deixarei de ser um de vocês. Continuarei a sofrer, a vibrar e a celebrar cada vitória de Portugal como se...

Passei a minha vida a trabalhar para ser o melhor jogador do mundo.

Hoje percebo que a maior vitória foi ter merecido representar o melhor país do mundo.

Obrigado por estes vinte e três anos. Obrigado por terem acreditado em mim.

Obrigado por me terem permitido viver um sonho que começou quando eu era apenas um menino, na Madeira, a correr atrás de uma bola.

Camisola sete fica. O orgulho de a ter vestido será meu para sempre.

Portugal estará sempre em mim. Até sempre.

Cristiano Ronaldo.

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