Breno Altman defende lei que reconheça o sionismo como racismo
3 min Politics
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Olá, meu nome é Breno Altman e tenho um tema importante a tratar com vocês.
Defendo a apresentação no Congresso Nacional de um projeto de lei que reconheça o sionismo como uma forma de racismo e discriminação racial.
Há um precedente histórico. Em 10 de novembro de 1975, a Assembleia Geral da ONU aprovou a Resolução 3379, que definiu o sionismo dessa maneira.
Essa posição foi mantida até 16 de dezembro de 1991, quando caiu por pressão dos Estados Unidos, donos do mundo depois do colapso da União Soviética.
Os defensores de Israel repetem que o sionismo seria apenas a defesa da autodeterminação do povo judeu.
Trata-se de uma mentira. O sionismo nasceu como projeto para construir um Estado colonial sob supremacia étnica judaica em uma terra majoritariamente ocupada há muitos séculos por outro povo.
Basta ver seu arcabouço legal. A Lei do Retorno de 1950, por exemplo, garante a qualquer judeu do planeta o direito de imigrar e virar cidadão israelense, enquanto cerca de setecentos e cinquenta mil palestinos expulsos em 1948 e seus milhões de descendentes seguem proibidos de voltar.
Uma lei aprovada pelo Parlamento em 2018 definiu Israel como Estado judeu, no qual somente os judeus têm direito à autodeterminação, circunscrevendo palestinos e outras minorias à subalternidade.
Isso para não falar dos milhões que vivem sem quaisquer direitos sob o tacão do genocídio na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.
O nome disso é apartheid, como bem definiu a Anistia Internacional.
E o que temos a ver com isso? A Constituição brasileira trata o racismo como crime.
A Lei 7716 de 1989 pune com até cinco anos de prisão quem divulga ideias nazistas.
Não é coerente coibir apologia ao nazismo e a outras ideologias racistas enquanto se tolera a propaganda sionista.
Também quero deixar muito claro que combater o sionismo nada tem a ver com hostilidade aos judeus.
Aliás, proibir o nazismo tampouco representou discriminação aos alemães.
Fundamental distinguir judaísmo e sionismo.
O judaísmo representa uma tradição étnica, religiosa e cultural.
O sionismo é uma ideologia política. O antissemitismo, o ódio contra os judeus, deve ser combatido sem concessões, mas também o sionismo, doutrina baseada em colonialismo e supremacia racial.
Sou judeu e antissionista e considero inadmissível a naturalização do sionismo, ainda mais quando camuflado pela luta contra o antissemitismo.
Muito obrigado pela atenção.
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