George Soros sobre moralidade financeira e sua experiência no Holocausto
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Nos últimos dois anos, você foi culpado pelo colapso financeiro da Tailândia, Malásia, Indonésia, Japão e Rússia.
De tudo isso. De tudo isso. Você é tão poderoso assim?
Não, acho que há um grande mal-entendido.
Eu estou lá basicamente para ganhar dinheiro.
Não posso e não olho para as consequências sociais do que faço.
Como concorrente, tenho que competir para vencer.
Como ser humano, me preocupo com a sociedade em que vivo.
Com qual George Soros estou falando agora?
O George Soros amoral ou o George Soros moral?
É uma só pessoa. É uma só pessoa que, em um momento, se envolve em atividades amorais e, no resto do tempo, tenta ser moral.
Você é um judeu húngaro que escapou do Holocausto se passando por cristão.
E você viu muitas pessoas serem enviadas para os campos de extermínio.
Certo. Eu tinha 14 anos e diria que foi aí que o meu caráter se formou.
De que maneira? Que se deve pensar à frente, deve-se compreender e antecipar os acontecimentos.
E que se está sob ameaça. Foi uma tremenda ameaça do mal.
Quero dizer, foi uma experiência muito pessoal do mal.
O que eu entendo é que você saía com esse seu protetor, que jurava que você era o afilhado adotivo dele.
Sim. Saía, de fato, e ajudava no confisco de propriedades dos judeus.
Isso mesmo. Sim. Quero dizer, isso parece o tipo de experiência que mandaria muita gente para o divã do psiquiatra por muitos e muitos anos.
Foi difícil? De forma alguma. De forma alguma.
Talvez, quando criança, você não veja a ligação, mas isso não criou problema algum.
Nenhum sentimento de culpa? Não. Por exemplo, que sou judeu e aqui estou eu vendo essas pessoas partirem.
Eu poderia muito bem estar lá. Eu deveria estar lá.
Nada disso. Bem, é claro, eu poderia estar do outro lado ou poderia ser aquele de quem a coisa está sendo tirada.
Mas não havia a sensação de que eu não deveria estar lá porque aquilo era, bem, na verdade, de um jeito engraçado, é como nos mercados, se eu não estivesse lá, é claro, eu não estaria fazendo aquilo, mas outra pessoa estaria levando embora de qualquer maneira.
Quer eu estivesse lá ou não, eu era apenas um espectador.
A propriedade estava sendo levada embora.
Então eu não tive papel nenhum em levar aquela propriedade.
Então eu não tinha nenhum sentimento de culpa.
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